ONG diz que TPI deveria investigar Mugabe por crimes contra humanidade

Nações Unidas, 13 jan (EFE).- O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, deveria ser investigado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por cometer crimes contra a humanidade relacionados com o desmoronamento do serviço de saúde no país, pediu hoje a organização Médicos pelos Direitos Humanos.

EFE |

Em um relatório intitulado "Saúde em ruínas", a ONG americana afirma que a epidemia de cólera no Zimbábue, que matou cerca de duas mil pessoas, é um sintoma da destruição dos serviços básicos do país causada pelas políticas repressivas de Mugabe ao longo de seus 28 anos no poder.

"A crise de saúde no Zimbábue é o resultado direto da violação de uma série de direitos humanos, entre os quais estão o direito dos cidadãos a participar do Governo, as eleições livres, e o direito a níveis adequados de bem-estar e saúde", afirma o relatório.

O documento foi apresentado em um ato em Nova York por Mary Robinson, a ex-presidente da Irlanda e ex-alta comissária de Direitos Humanos da ONU, que assina o prólogo do relatório junto ao arcebispo sul-africano Desmond Tutu e o jurista Richard Goldstone, do mesmo país.

As três personalidades consideram que "as conclusões (do relatório) se somam às provas existentes de que Robert Mugabe e seu regime poderiam ser culpados de crimes contra a humanidade".

"O regime de Mugabe empregou todos os recursos dos quais dispõe, incluindo a politização do setor da saúde, para se manter no poder", acrescentam.

O relatório recomenda transferir a gestão da saúde no Zimbábue a um organismo internacional designado pelas Nações Unidas.

Além disso, assegura que o regime "se desentendeu de funções básicas do Estado", ao abandonar a manutenção dos hospitais públicos e o respaldo aos profissionais da saúde.

O estudo destaca que a deterioração, há dois anos da infra-estrutura de saúde do país, se acelerou em agosto de 2008, quando "ocorreu um desmoronamento sem precedentes em sua escala e alcance". EFE jju/db

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