Nova York, 8 out (EFE).- A ONG Human Rights Foundation (HRF) publicou hoje um relatório sobre os direitos humanos na Bolívia e o enviou ao presidente do país, Evo Morales, a quem acusa de promover a guerra e o ódio racial.

O documento de 14 páginas relata a situação até setembro e aborda as causas dos atos de violência ocorridos na Bolívia no último mês, que causaram a morte de pelo menos 21 pessoas e deixaram centenas de feridos.

A organização disse que, junto com o relatório, enviou também uma carta a Morales, na qual expressa sua preocupação "pela violência política e pelos contínuos pronunciamentos do chefe de Estado, que fazem propaganda da guerra, apologia ao ódio racial, ameaçam a liberdade de imprensa e tendem a agravar a situação dos direitos humanos".

"É muito grave que o chefe de Estado de um país signatário da maior parte dos tratados de direitos humanos esteja convocando literalmente as pessoas em seu território a escolher entre seu próprio projeto político e a morte", disse o presidente da HRF, Thor Halvorssen.

Além disso, Halvorssen referiu-se ao fato de que enquanto o "discurso oficial" do Governo boliviano "continua fazendo propaganda da guerra e do ódio racial entre bolivianos, infelizmente a situação dos direitos humanos na Bolívia tende a piorar".

O documento disse que Morales usa adjetivos "racistas, fascistas, separatistas e antipatriotas" ao falar sobre os dirigentes departamentais e os opositores, além de pedir ao povo que esteja "disposto a morrer" em defesa da revolução.

"É uma violação do artigo 13 do Pacto de San José da Costa Rica, que proíbe a apologia à guerra e ao ódio racial", disse o estudo.

Para a HRF, esses discursos "agravaram as agressões físicas contra a imprensa por parte de simpatizantes do Governo" nas últimas semanas.

Segundo o relatório, a Bolívia é, depois da Colômbia, o país da América Latina onde houve mais mortes políticas desde 2006, ano em que Morales começou seu mandato.

A HRF acrescenta que aos números de mortos e feridos de 11 a 13 de setembro "se somam as mais de 40 pessoas mortas e milhares de pessoas feridas em conseqüência da violência política suscitada desde que Morales assumiu o Governo". EFE emm/rb/plc

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