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ONG denuncia mais de 400 corpos em fossas comuns no Peru

Fossas comuns encontradas em uma remota comarca do sudeste do Peru podem conter os restos mortais de mais de 400 pessoas assassinadas pelo Exército e pela guerrilha maoísta Sendero Luminoso em 1984, durante a guerra interna do país, informou um advogado das vítimas, nesta quinta-feira.

AFP |

Até agora, após a escavação em duas fossas, no final de maio, foram encontradas ossadas de 120 camponeses mortos há mais de duas décadas na comunidade de Putis, no departamento de Ayacucho, em um massacre atribuído ao Exército.

"É muito possível que os mortos cheguem a 420 e que as fossas cheguem a 14", disse o advogado Norberto Lamilla, da Associação Paz e Esperança.

As autoridades judiciais determinaram, até o momento, a localização de cinco dessas fossas, que serão removidas até o final do mês.

Os testemunhos sobre a existência das 14 fossas se sustentam em documentos apresentados por Gerardo Fernández Mendoza, presidente da Associação de Vítimas da Violência Política de Putis.

"Esses documentos têm precisões como os nomes de 420 pessoas, suas idades, lugares dos enterros clandestinos, a forma como foram assassinadas, assim como datas das matanças, motivo pelo qual considero a informação confiável", disse Lamilla.

De acordo com os relatos coletados até agora, das 14 fossas, dez corresponderiam a execuções coletivas cometidas pelo Exército, enquanto que as quatro restantes seriam obra do Sendero Luminoso e das rondas camponesas, nome que identificavam os comitês de autodefesa civil.

Ao que parece todas as matanças aconteceram entre setembro de 1984 e agosto de 1985, na administração de Fernando Belaunde e no início do primeiro governo (1985-1990) do atual presidente, Alan García.

"Fica claro que a política que o Exército aplicou nessa zona foi de extermínio de toda a população, pois não se explica como mataram crianças e idosos, que são totalmente indefesos, em um processo de guerra interna", completou Lamilla.

O conflito interno que devastou o Peru nas últimas duas décadas deixou um balanço de 70.000 mortos e desaparecidos, segundo números oficiais.

rm/tt/sd

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