ONG denuncia cumplicidade de britânicos com tortura no Paquistão

Londres, 22 fev (EFE).- Um relatório de uma ONG denuncia a cumplicidade de agentes britânicos com seus colegas paquistaneses, acusados de torturar suspeitos de terrorismo.

EFE |

O relatório, de autoria da Human Rights Watch (HRW), identifica pelo menos dez britânicos torturados no Paquistão e depois interrogados por agentes do Reino Unido.

Segundo o documento, a cujo conteúdo teve acesso o jornal "The Observer", essa, no entanto, pode ser apenas a ponta do iceberg.

O relatório parece desmentir o ministro de Assuntos Exteriores britânico, David Miliband, que afirmou várias vezes que o Reino Unido não tolera torturas.

Miliband foi criticado por se recusar a publicar registros relacionados ao tratamento de um britânico de origem asiática chamado Binyam Mohammed, atualmente detido na prisão de Guantánamo.

Esses documentos conteriam provas da cumplicidade de funcionários britânicos nas torturas infligidas a Mohammed, que será repatriado esta semana pelos Estados Unidos.

Segundo Ali Dayan Hassan, que comandou o estudo da HRW, fontes do serviço secreto paquistanês forneceram informações e provas que confirmam a cumplicidade britânica nos interrogatórios e nas torturas contra suspeitos de terrorismo.

É a primeira vez que agentes paquistaneses confirmam as acusações de que os britânicos foram coniventes com o trabalho sujo de outros para obter informações de suspeitos.

Segundo o "Observer", diferentes agentes da espionagem britânica interrogaram vários suspeitos que disseram terem sido vítimas de torturas entre uma e outra sessão de perguntas.

A publicação cita nomes e sobrenomes de várias pessoas que vivem no Reino Unido que afirmam ter sido torturadas por funcionários paquistaneses e interrogados em seguida por agentes britânicos.

O deputado conservador David Davis exigiu um esclarecimento do Governo britânico e disse que as autoridades do país, "na melhor das hipóteses, olharam para outro o lado" enquanto os paquistaneses cometiam tortura.

A HRW já apresentou seu relatório à Comissão Conjunta de Direitos Humanos do Parlamento britânico, que convocará Miliband e o ministro do Interior, Jacqui Smith, para dar explicações. EFE jr/sc

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