Uma ONG palestina denunciou nesta quarta-feira em um relatório as condições em que mulheres palestinas são mantidas presas em Israel, indicando que grávidas em trabalho de parto são transportadas para o hospital com as algemas.

"As mulheres grávidas não recebem nenhum tratamento especial em termos de regime alimetar, de qualidade de vida ou durante os deslocamentos para os hospitais", quando são mantidas algemadas, indica o relatório divulgado pela Addemeer, associação palestina de defesa dos direitos humanos.

"Elas são amarradas à cama quando entram na sala de parto, e depois de dar à luz são mais uma vez algemadas", acrescenta o documento, patrocinado pelo Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem).

Segundo a legislação israelense, uma prisioneira grávida pode manter seu filho na prisão por até os dois anos de idade.

Além disso, o relatório afirma que as detentas são mantidas em "prisões e centros de detenção israelenses (inicialmente) destinados a homens, e não respondem às necessidades das mulheres".

Procurado pela AFP, um porta-voz do departamento israelense que administra as prisões disse não ter sido informado sobre a existência deste relatório.

Segundo a Addemeer, "o regime alimentar desequilibrado, a quantidade insuficiente de produtos ricos em proteínas, a ausência de luz natural e de movimento, a ventilação ruim e a umidade contribuem para o desenvolvimento e a exacerbação de problemas de saúde como doenças de pele, anemia, asma, dores de estômago, nas articulações e nas costas".

Para escrever o relatório, a Addameer entrevistou 125 palestinas detidas em prisões israelenses entre novembro de 2007 e novembro de 2008. Delas, 65 continuam presas.

dlm/ap

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