ONG denuncia anexação de milhares de hectares palestinos por Israel e colonos

Jerusalém, 10 set (EFE).- A ONG israelense Btselem denunciou hoje em um relatório a anexação de fato pelas autoridades israelenses e colonos judeus de milhares de hectares de terras palestinas na Cisjordânia.

EFE |

Esta anexação, que se dá ao leste da barreira de cercas e concreto que Israel constrói desde 2002, se efetua principalmente de duas formas, a primeira da quais consiste em que "colonos e, em algumas ocasiões membros das forças de segurança israelenses, atacam violentamente e acossam os palestinos que se arriscam a passar perto dos assentamentos", diz a ONG em comunicado.

O segundo "modus operandi" mais comum é a construção em torno das terras de cercas e outras barreiras físicas ou eletrônicas que fecham a passagem aos palestinos.

"Em muitos casos, as autoridades fazem a vista grossa no fechamento sem licença de terras, descumprindo sistematicamente seu dever de impor a lei a colonos que cometem delitos", acrescenta a Btselem.

Israel começou a formalizar esta prática nos últimos anos ao decretar a região anexada "área especial de segurança" que protege os colonos de agressões palestinas.

Assim, ao delimitar a área de 12 assentamentos ao leste do muro de separação, foram anexados mais de 450 hectares, das quais a metade são propriedade privada palestina.

A Btselem adverte, no entanto, que "a quantidade total de terras anexadas aos assentamentos só pode ser estimada de forma aproximada, pois a maioria destas ações não foi documentada ou oficialmente sancionada".

As principais vítimas desta situação são os granjeiros palestinos, "que enfrentam obstáculos burocráticos quase inacessíveis quando tentam ter acesso a suas terras e, como resultado, muitos se vêem forçados a deixar de cultivá-las", acrescenta.

Israel justifica estas áreas em torno dos assentamentos pela necessidade de proteger seus habitantes e põe como exemplo a notável redução de ataques contra colonos em relação aos anos mais sangrentos da Segunda Intifada, iniciada em 2000.

A Btselem refuta esse argumento ao ressaltar que alguns colonos receberam a permissão das autoridades israelenses para aceder a essas regiões de proteção e inclusive vivem nelas.

Por último, a ONG enfatiza que "a única forma legal de proteger os colonos é evacuá-los e levá-los de volta a Israel", em vez de "trabalhar para perpetuar" sua presença na Cisjordânia. EFE ap/ma

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