ONG critica acordo de US$ 7 bi de chineses com Guiné

A organização não-governamental Human Rights Watch afirmou que um possível acordo de US$ 7 bilhões de um fundo de investimento chinês com o governo da Guiné pode fortalecer o regime militar que assumiu o país há dez meses.

BBC Brasil |

O diretor da divisão de Negócios e Direitos Humanos da ONG, Arvind Ganesan, disse que o acordo, que está sendo negociado entre a China International Fund (CIF) e as autoridades da Guiné, poderia fortalecer e enriquecer um governo "agressivo".

Ele disse que se o investimento se concretizar, ele poderia ser visto como uma mensagem negativa de que regimes militares estão isentos a críticas.

O regime militar da Guiné está sendo investigado pelo Tribunal Penal Internacional por supostamente ter matado manifestantes durante um protesto na capital do país no mês passado.

O governo chinês defendeu nesta quinta-feira a assinatura de acordos entre negócios chineses e o governo da Guiné. O país africano possui a maior reserva de bauxita do mundo e grandes reservas de ouro, diamantes, urânio e ferro.

Protestos

"A Guiné é um país com uma amizade tradicional com a China e por anos houve progresso suave na cooperação entre os dois lados", disse o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Ma Zhaoxu, a jornalistas, segundo a agência de notícias AFP.

"Nossa cooperação está baseada na igualdade e em benefícios mútuos e está de acordo com normas internacionais e com interesses fundamentais de ambos os povos."

O governo militar da Guiné tem sido fortemente criticado por reprimir protestos no dia 28 de setembro. Dezenas de manifestantes foram mortos a tiros.

Nesta quinta-feira, o Tribunal Penal Internacional abriu uma investigação sobre os protestos. A Human Rights Watch afirma que cerca de 150 pessoas morreram. O governo diz que o número oficial é muito menor.

As vítimas estavam participando de uma demonstração na capital Conakry, quando soldados do governo abriram fogo contra eles. Também há acusações de crimes sexuais durante os protestos.

O primeiro-ministro da Guiné, Kabine Kamara, disse à BBC que classificar a repressão do protesto como criminosa seria preliminar e que uma investigação completa precisa ser conduzida.

O regime militar chegou ao poder em dezembro do ano passado através de um golpe de Estado branco, após a morte do presidente Lansana Conte, que estava no poder desde 1984.

O líder do governo militar, o capitão Moussa Dadis Camara, prometeu combater a corrupção, melhorar a disciplina do Exército e realizar eleições no começo de 2010.

Os protestos foram realizados devido a boatos de que Camara concorreria nas eleições.

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