ONG antitabagista diz que AL desrespeita convênio contra fumo

Genebra, 22 out (EFE).- As grandes indústrias de tabaco influem e interferem através de distintas táticas na aplicação do Convênio Marco para o Controle do Tabaco, e a América Latina é um bom exemplo disso, afirmou hoje a ONG Responsabilidade Corporativa Internacional.

EFE |

"Este acordo, aprovado em 1999, foi ratificado muito rapidamente por 160 países, protegendo quase 85% da população mundial de um produto que mata a cada ano a 5,4 milhões de pessoas", disse a diretora da ONG, Kathy Mulvey, em entrevista coletiva.

"No entanto, a indústria do tabaco é o maior impedimento para que o público obtenha as garantias para a saúde que contém o Convênio, e as três grandes companhias tabaqueiras -Philip Morris International, British American Tobacco e Japan Tobacco- não devem ser consideradas nuca como aliadas," acrescentou.

Coincidindo com a reunião desta semana em Genebra, a organização expôs os métodos, segundo ela, empregados pela indústria para frear a implementação do acordo.

A América Latina, onde todos os países ratificaram o Convênio Marco exceto Argentina, República Dominicana e El Salvador, é um bom exemplo da interferência das tabaqueiras, afirmou o coordenador de Responsabilidade Corporativa para a região, Yul Francisco Dorado.

Um dos casos, disse, é o de promover "responsabilidade social corporativa" mediante doações a projetos governamentais, como a que fez a Philip Morris há um mês, doando US$ 2 milhões ao Governo colombiano, quando se está debatendo o projeto de lei para a implementação do Convênio", assinalou.

Outro método, afirmou ele, é o de exercer pressões sobre Governos e Parlamentos, de modo que quando um executivo apresenta um projeto de lei, o lobby do tabaco interfere e apresenta o seu, e alguns congressistas os assumem, por isso os conteúdos das leis no final não cumprem os requisitos do Convênio Marco, acrescentou Dorado.

Também se acusa o Convênio Marco de ir contra o livre-comércio, "esquecendo que o direito à saúde está acima de qualquer outra consideração". EFE vh/jp

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