ONG afegã diz que 60 a 70 civis morreram no último bombardeio da Otan

Entre 60 e 70 civis morreram no bombardeio conduzido na última sexta-feira pela Otan na província de Kunduz, no norte do Afeganistão, segundo um relatório da ONG afegã Afghanistan Rights Monitor (ARM), do qual a AFP obteve uma cópia.

AFP |


De acordo com uma investigação preliminar, entre 60 e 70 civis morreram quando os aviões da Otan bombardearam dois caminhões-tanque roubados pelos talebans, afirmou a ARM no relatório, que dá vários detalhes sobre a ação e é baseado em "15 entrevistas com moradores" de Kunduz.

"Além dos civis, mais de dez homens armados morreram" no ataque, destacou a ARM. "Vários combatentes e civis ficaram tão queimados que a identificação foi impossível", ressaltou a organização.

"Em todo caso, não havia qualquer indício de que as pessoas que roubaram os caminhões estavam planejando atacar as forças afegãs ou internacionais", frisou a ONG.

O governo alemão alegou que o ataque da Otan era necessário para evitar que seus soldados fossem atacados com os caminhões-tanque. O bombardeio de Kunduz foi ordenado por um oficial alemão.

Declaração

A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou nesta terça-feira lamentar profundamente as vítimas inocentes do bombardeio da Otan ordenado por um comandante militar alemão no Afeganistão, em um discurso no parlamento.

Ao mesmo tempo, ela defendeu diante dos parlamentares a missão militar controversa, a três semanas das eleições gerais na Alemanha.

"Cada pessoa inocente que morre no Afeganistão é muito", declarou Merkel aos parlamentares.

"Lamento profundamente todas as pessoas inocentes mortas ou feridas, incluindo as que o foram por ações dos alemães", completou.

Todas as fontes oficiais afirmaram que a maioria das vítimas do ataque de sexta-feira eram talebans. O governo afegão, a ONU, a Otan e diversas ONG anunciaram a abertura de investigações.

A Otan admitiu que civis morreram no bombardeio, mas não adiantaram números. O governador de Kunduz, por sua vez, falou em 48 talebans e seis civis mortos.

Os dois caminhões-tanque tinham sido roubados pelos talebans na noite de quinta-feira. Um dos veículos ficou atolado perto de um rio, levando os rebeldes a chamarem os aldeões para que se servissem de gasolina. Muitos já estavam cercando o caminhão quando aconteceu o bombardeio, na sexta-feira às 02h00 (18h30 de quinta-feira, no horário de Brasília).

"Mesmo que todas as vítimas fossem partidários dos talebans, a maioria era desarmada e não participava de uma atividade bélica. Portanto, nada justifica o massacre", afirmou Ajmal Samadi, diretor da ARM.



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