ONG acusa Uribe de coibir investigações contra paramilitares

A organização Human Rights Watch (HRW) afirmou nesta quinta-feira que o governo do presidente colombiano Álvaro Uribe tem impedido que a Justiça investigue os crimes cometidos por paramilitares e seus vínculos com políticos colombianos. Na apresentação do relatório anual sobre os direitos humanos na Colômbia, intitulado Quebrando o Controle? - Obstáculos à Justiça nas Investigações da Máfia Paramilitar na Colômbia, a organização afirma que o governo do presidente Álvaro Uribe está colocando em risco as tentativas de investigar e julgar os delitos cometidos por paramilitares e seus cúmplices na Colômbia, afirmou José Miguel Vivanco, diretor para as Américas da organização.

BBC Brasil |

A HRW considerou que "as autoridades judiciais da Colômbia realizaram avanços sumamente importantes na investigação dos paramilitares e seus poderosos aliados", mas ressaltou que "o governo (...) segue adotando medidas que poderiam sabotar este trabalho".

A organização apontou o sistemático enfrentamento entre Uribe e o setor judiciário e afirmou que o governo pretende "deslegitimar" o organismo.

"Tem existido uma espécie de campanha integral por parte do governo do presidente Uribe para deslegitimar, para desacreditar a Suprema Corte e também, ocasionalmente, o Ministério Público quando investigam temas que são sensíveis a ele (Uribe)", afirmou Vivanco.

Pelo menos 60 congressistas, a maioria da base aliada do governo, estão sendo investigados pela Suprema Corte por supostos vínculos com grupos paramilitares.

O governo rejeitou as acusações da organização de direitos humanos e negou as informações apresentadas no relatório.

"O relatório contém afirmações que não são certas (...) o governo acredita que essas e outras falsidades evidentes obedecem a problemas de compreensão de leitura de quem o escreveu", afirma um comunicado emitido pela vice-presidência.

"(O governo ) se nega a acreditar que essas imprecisões sejam fruto de más intenções", acrescentou o documento.

Desmobilização
A Justiça colombiana investiga também pelo menos 50 chefes do grupo paramilitar Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), que se desmobilizou em 2003, depois de um acordo com o governo.

Só neste ano, o governo colombiano ordenou a extradição de 14 chefes paramilitares aos Estados Unidos para serem julgados pela Justiça desse país por crimes relacionados ao narcotráfico.

A HRW considera que a extradição dos paramilitares realizada no momento em que esses começavam a confessar seus crimes e vínculos com políticos colombianos "frustrou" as investigações.

A organização considera também que não houve um processo real de desmobilização paramilitar. De acordo com a HRW, esses grupos estão reorganizados em novas estruturas do narcotráfico.

"O governo de Uribe e as instituições de justiça da Colômbia têm agora a responsabilidade de garantir que tanto os paramilitares como seus cúmplices prestem contas e sejam julgados por seus crimes", afirmou José Miguel Vivanco.

Criado em 1980 com o financiamento de latifundiários e líderes de direita, sob o argumento de combater as guerrilhas, os grupos paramilitares são responsabilizados por milhares de assassinatos e de outros crimes relacionados com o narcotráfico.

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