Nova York, 26 fev (EFE).- A ONG Justice Strategies denunciou hoje que a Polícia dos Estados Unidos persegue imigrantes motivada, em algumas ocasiões, por critérios raciais, e não tanto pela gravidade dos crimes.

Em relatório divulgado na quinta-feira, a organização, com sede em Nova York, assegura que boa parte dos 70 mil imigrantes detidos desde 2003, quando o Escritório de Imigração e Alfândegas (ICE) foi criado, até agosto de 2008 tinha cometido crimes menores.

O trabalho "Democracia Local sobre ICE" da organização estuda o efeito da aplicação do programa 287(g) da Lei de Imigração e Nacionalidade, pelo qual as autoridades locais tiveram ampliado o poder extraordinário de detenção e encarceramento que estava nas mãos da Polícia de imigração de fronteira.

Dados da ONG indicam que 95% das detenções em Gaston, Carolina do Norte, sob esse programa foram por crimes menores, entre eles 60% por infrações de trânsito.

"Os imigrantes são o alvo errado de campanhas na luta contra a criminalidade", assegurou a Justice Strategies, que afirmou que "os estudos mostram sistematicamente que estes têm uma taxa mais baixa de delinquência que os americanos e cometem menos delitos violentos".

O relatório acrescenta que, embora "o programa tenha sido vendido como uma medida que fortalece a segurança pública expulsando estrangeiros ilegais criminosos fora das ruas", o certo é que "os poderes civis de imigração são incompatíveis com essa missão".

O programa "287(g) permite retirar de policiais locais sua tarefa de combater a criminalidade para colocá-los na obscura missão de perseguir imigrantes e detê-los sem que exista suspeita de delito", assegura o relatório.

Por tudo isso, recomendou acabar com o programa, já que "falha em conseguir um equilíbrio entre os direitos da comunidade e a segurança pública, causou danos a americanos que não são brancos e problemas ao sistema judiciário". EFE mgl/db

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.