Jerusalém, 23 jul (EFE).- A ONG israelense Ir Amim acusou hoje o Governo de Israel de promover um processo de hebronização em Jerusalém Oriental, ao apoiar os colonos que tentam expandir suas posições no bairro de Siloé.

Em relatório, a organização defende que o Executivo "trabalha em plena cooperação com grupos de extrema direita" para transformar este bairro palestino em um "parque controlado pelos colonos" e promover, com isso, uma situação parecida com a da cidade cisjordaniana de Hebron.

Hebron, com 180 mil habitantes e ao sul de Jerusalém, é a única cidade da Cisjordânia na qual cerca de 500 colonos judeus vivem em um assentamento situado dentro uma área urbana palestina, com os problemas diários e tensões que isso acarreta.

Siloé é um bairro na parte palestina de Jerusalém onde os colonos judeus começaram a se instalar nos anos 90, até controlar hoje um terço do território em uma de suas partes, Al-Bustan.

Seus residentes estão de pé de guerra contra a Elad, uma organização de direita que promove a colonização judaica e que administra escavações arqueológicas na área onde acredita-se que esteve o palácio do rei Davi.

Ali, lembra a Ir Amim, "grandes seções da zona foram confiscadas da população local", enquanto "os terrenos públicos e a propriedade foi privatizada sem licitação e transferida a organizações ideologicamente de direita que atuam como contratadas para implementar e defender seu controle".

Este 'modus operandi' "alcança seu apogeu" em um plano antecipado pela Prefeitura de Jerusalém e que "expõe as verdadeiras intenções de Israel em Siloé": "a destruição de Al-Bustan e a transformação de uma grande parte da localidade em um parque turístico, que permita a construção em massa pública e privada, exclusivamente destinada a judeus e turistas".

Com isso, segundo a ONG, haveria também a tentativa de conectar parte de Jerusalém com os assentamentos ao norte da cidade.

Para a Ir Amim, esta nova realidade em uma "área sensível" coloca em "perigo a possibilidade de alcançar um acordo político sobre o futuro de Jerusalém e, em consequência, do conflito no todo".

"A tentativa de acelerar o processo de controle israelense do bairro, combinada com demolições de casas e pressão sobre os residentes palestinos, aprofunda muito as tensões entre israelenses e palestinos, e pode levar à 'hebronização' de Jerusalém Oriental e, quase com toda a segurança, a uma explosão", afirma a ONG. EFE ap/an

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