ONG acusa governo da RDC de assassinar e reprimir opositores

KINSHASA - Centenas de supostos opositores foram assassinados e torturados pelas forças de segurança República Democrática do Congo (RDC) nos dois anos transcorridos desde a eleição do presidente Joseph Kabila, informa um relatório da organização internacional Human Rights Watch (HRW) que aponta diretamente para o governante como responsável pela repressão.

Redação com agências internacionais |

Acordo Ortográfico

O relatório apresentado nesta terça-feira em Kinshasa diz que Kabila ordenou "achatar" e "neutralizar" seus oponentes.

Quinhentas pessoas teriam sido assassinadas e mais mil detidas e torturadas ao serem consideradas opositoras por forças de segurança da RDC, como o grupo paramilitar dos Guardas Republicanos, o batalhão especial "Simba" e os serviços de inteligência, informa a HRW.

Os partidários do ex-candidato presidencial Jean-Pierre Bemba, assim como os partidários do Bundu Dia Kongo (DDK), um grupo que promove uma maior autonomia da região do Baixo Congo, foram as principais vítimas da repressão, embora eles tenham cometido assassinatos, diz a organização.


Milhares de refugiados buscam abrigo no Congo / AP

Os jornalistas acusados de opositores ou que denunciaram abusos das autoridades também foram "ameaçados, detidos arbitrariamente e, em alguns casos, torturados", acrescenta o relatório.

"Enquanto todos estão atentos à violência no leste da RDC, os abusos do governo contra os opositores políticos chamam pouca atenção", declarou na apresentação do relatório em Kinshasa Anneke Van Woudenberg, investigadora do Departamento da África da HRW.

De qualquer forma, o relatório afirma que as forças governamentais e os rebeldes tutsis do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), liderado por Laurent Nkunda, que combatem no leste da RDC, cometeram "horríveis atrocidades".


Congalense agredido é levado por soldados da Tropas do Governo da Congo / AP

O relatório também responsabiliza os governos estrangeiros de apoiarem o regime de Kabila "e guardar silêncio sobre os abusos dos Direitos Humanos" e à ONU de "enterrar ou publicar tarde demais" os relatórios que documentam "o envolvimento do Governo em crimes com motivação política".

Por estes motivos, a Human Rights Watch reivindicou ao governo de Kabila e ao Parlamento de Kinshasa que investiguem os abusos contra os quais são acusados agentes estatais "para julgar os responsáveis".

"Governo e rebeldes violam direitos humanos"

Um novo relatório da Organização das Nações unidas (ONU), divulgado na segunda-feira, aponta que ambos os lados são responsáveis por assassinatos em massa, estupros e tortura. Ban Ki-moon, secretário geral da ONU, afirmou que tanto as forças do governo da República Democrática do Congo quanto os grupos rebeldes atuando no país cometeram graves abusos contra os direitos humanos.

O documento cobre o período de julho a novembro, durante o qual eclodiram os combates no leste do país. "A situação dos direitos humanos no Congo é motivo para grande preocupação", disse Ban no relatório.

Segundo o secretário-geral, membros da polícia e do Exército congoleses "são responsáveis por um grande número de violações dos direitos humanos, como execuções arbitrárias, estupros, tortura e tratamento cruel, desumano e degradante".

Leia mais sobre conflito no Congo

    Leia tudo sobre: congo

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG