ONG acusa Exército de reprimir oposição no Zimbábue

Johanesburgo - A ONG Human Rights Watch (HRW) denunciou nesta quarta-feira que o Exército do Zimbábue está se envolvendo na onda de repressão contra militantes da oposição iniciada após as eleições gerais de 29 de março.

EFE |

A organização pró-direitos humanos afirmou que o Exército está emprestando armas e veículos de transporte a veteranos da luta pela independência e a militantes do partido governante, Zanu-PF, criando um "controle brutal" em comunidades rurais do país.

"A União Africana e o Conselho de Segurança da ONU deveriam adotar medidas imediatas para prevenir uma escalada maior na violência", afirmou a diretora para a África da HRW, Georgette Gagnon, em comunicado divulgado hoje nesta cidade.

Embora o pleito tenha acontecido há um mês, as autoridades eleitorais não divulgaram os resultados das eleições presidenciais, e deram a conhecer apenas os dados da apuração das parlamentares, que aconteceram simultaneamente.

Desde então, centenas de militantes da oposição foram detidos e pelo menos quinze deles morreram em uma onda de violência da qual é supostamente responsável o partido governante e forças paramilitares.

A oposição sustenta que esta onda de violência tenta atemorizar a população diante de um eventual segundo turno das eleições presidenciais, ainda não anunciado oficialmente, mas antecipado pelo regime de Robert Mugabe, no poder desde 1980.

"O Exército e seus aliados - os 'veteranos de guerra' e partidários do partido governante - estão intensificando seu controle brutal sobre amplas áreas do Zimbábue rural para assegurar a vitória em um possível segundo turno das eleições", afirmou Gagnon.

A organização acrescentou que documentou "graves abusos" aos direitos humanos em Harare e em cinco províncias do país, onde os militantes do Governo, forças paramilitares, policiais e militares "desenvolveram uma campanha brutal de tortura e intimidação contra qualquer suspeito de apoiar a oposição".

O opositor Movimento para Mudança Democrática (MDC) assegura que seu candidato presidencial, Morgan Tsvangirai, venceu as eleições presidenciais, com 50,3% dos votos, enquanto atribui a Mugabe 43,8%.

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