ONG acusa EUA de torturar mauritano em Guantánamo após Obama

Nuakchott, 26 fev (EFE).- Um preso mauritano em Guantánamo, Ahmed Ould Abdelaziz, foi torturado em sua cela após a chegada ao poder do novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, denunciou o grupo de defesa de detidos mauritanos nessa prisão.

EFE |

"Trata-se do primeiro caso de tortura conhecido em Guantánamo desde a chegada de Barack Obama", disse na quarta-feira à noite, em entrevista coletiva, o porta-voz desta associação, Hammoud Ould Nebagha.

A associação mauritana citou como fonte de sua acusação o advogado Ahmed Ghabur, que trabalha para uma ONG britânica que defende, de forma gratuita, 31 detidos em Guantánamo.

Segundo Nebagha, o advogado lhe disse que encontrou Abdelaziz "em uma situação degradante e desumana dentro da cela".

De acordo com o relato de Ghabur, o detido estava "estendido no chão entre três cadeiras, às quais estavam presas as mãos e a perna direita" de Abdelaziz, enquanto "sua perna esquerda estava fixada no chão por uma corrente de ferro".

"Estava com um uniforme laranja, o que significa, pela minha experiência neste campo, que ainda estava em fase de educação", disse o advogado, em comunicado lido pelo porta-voz da associação mauritana.

Ahmed Ould Abdelaziz é um dos dois mauritanos que ficam presos em Guantánamo, acusados de estar vinculados com a rede terrorista Al Qaeda.

Um terceiro cidadão mauritano, chamado Mohammed Lemin Ould Sidi Mohammed, foi entregue às autoridades de Nuakchott no início de 2007 após sua reclusão em Guantánamo pelos mesmos motivos.

Obama se comprometeu logo após assumir o cargo de presidente a fechar a prisão de Guantánamo.

Na sexta-feira passada, o secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, anunciou a designação de um funcionário que dirigirá uma equipe de trabalho em contato com várias agências para a revisão dos casos dos 245 homens que permanecem retidos em Guantánamo, mas já advertiu que o encerramento "não será fácil".

Por seu lado, os ministros do Interior da União Europeia debatem hoje, em Bruxelas, a disposição dos países europeus de receber alguns dos detidos em Guantánamo. EFE mo-er/an

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