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ONG acusa COI de ignorar violações na China

A aliança internacional de sindicatos Playfair acusou o Comitê Olímpico Internacional (COI) de ter ignorado violações contra trabalhadores empregados para fabricar produtos com a marca das Olimpíadas. Integrantes da ONG participaram de uma manifestação na manhã deste domingo na costa de Hong Kong, alertando para o que chamou de atitude vergonhosa do COI.

BBC Brasil |

"O COI não investigou independentemente e não seguiu normas claras para evitar que os abusos ocorressem, mesmo depois das revelações feitas por nosso dossiê", disse à BBC Brasil Staphany Wong, representante do movimento.

Relatório
Em julho do ano passado, a Playfair publicou um relatório denunciando violações dos direitos trabalhistas na fabricação de souvenires olímpicos.

Quatro indústrias chinesas que produziam bonés, bolsas e artigos de escritório com a marca dos jogos foram acusadas no documento.

Entre as irregularidades listadas estavam casos de trabalho infantil, horas extras forçadas e pagamento de salários baixos.

Na época, a BBC procurou as empresas, que negaram as acusações.

Após investigações, o Comitê de Organização dos Jogos Olímpicos de Pequim (BOCOG, na sigla em inglês), suspendeu a licença de uma das firmas, a Lekit, produtora de material de papelaria.

A firma foi acusada de ter contratado menores de idade para executar tarefas de empacotamento.

O BOCOG criticou as outras três firmas por terem funcionários trabalhando muitas horas extras, mas permitiu que continuassem a operar.

Mas segundo a Playfair, a investigação do BOCOG não foi suficiente e o COI falhou ao não dedicar "pessoas e recursos" para dar continuidade às questões trabalhistas que continuavam pendentes.

"Nós não sabemos o que aconteceu com aquelas crianças. Não sabemos se voltaram a escola ou se ainda estão sendo exploradas por aí. Também não sabemos se os trabalhadores tiveram suas horas extras compensadas. Não existe um controle transparente e o COI não fez nada a respeito disso", afirma Wong.

Abusos comuns
Segundo a Playfair, os abusos ainda existem na indústria chinesa como um todo.

"O excesso de trabalho, baixos salários e má condições de trabalho ainda são comuns em fábricas que fazem produtos e artigos esportivos Olímpicos", afirma um comunicado da organização.

De acordo as expectativas de Wong, o COI deveria ter pressionado o governo da China para que permitisse aos trabalhadores montar seus próprios sindicatos, independentemente do Partido Comunista, o que é proibido por lei.

Além disso, os chineses deveriam ter estabelecido um controle rígido para garantir que os trabalhadores recebem salários justos, não trabalhassem muitas horas extras e ganhassem compensações se demitidos ou no caso de a empresa fechar.

"O problema é que o COI nunca deu uma continuidade apropriada ao relatório de 2007 e não tomou providências específicas para garantir verdadeiramente que produtos com a marca Olímpica não seriam feitos com exploração de trabalho", afirmou Wong.

"Eles delegaram para o BOCOG, que adotou uma postura de 'cortar e correr', em que desligam a empresa, mas não avaliam o que estava errado na prática como um todo. O resultado disso só pode ser a reincidência dos mesmos erros", conclui Wong.

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