ONG acusa Ban Ki-moon de ser complacente com desrespeito da China

Human Rights Watch diz que o secretário-geral das Nações Unidas é "reticente" sobre o desreipeito chinês sobre os direitos humanos

EFE |

WASHINGTON - A organização Human Rights Watch (HRW) acusou nesta segunda-feira o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, de ser "especialmente reticente" quanto a uma pressão aos regimes que desrespeitam os direitos humanos, como a China.

Ban lidera o grupo chamado de "Liderança Débil" no relatório anual divulgado pela organização nesta segunda-feira.

Fazem parte da lista ainda o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron; a chanceler alemã, Angela Merkel; e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, todos eles citados por sua "falta de coragem" para encarar o Governo de Hu Jintao.

"Como secretário-geral, (Ban Ki-moon) tem duas ferramentas a seu alcance para promover os direitos humanos: a diplomacia privada e sua voz pública.

Pode dar cotoveladas nos Governos para que mudem através de seus escritórios ou pode usar o status de seu cargo para expor os que não estão dispostos a mudar", avalia o relatório.

A organização reconhece que o secretário-geral fez "duros comentários" sobre os direitos humanos em suas visitas a Turcomenistão e Uzbequistão, mas foi "muito mais reticente" quando visitou "um país poderoso como a China".

"Além disso, depositou uma fé indevida em sua suposta capacidade de convencer, mediante persuasão privada, homens como o presidente sudanês, Omar al-Bashir; o líder militar de Mianmar, Than Shwe; e o presidente do Sri Lanka, Mahinda Rajapaksa", indica.

Um exemplo são as declarações do líder nos dias anteriores às fraudulentas eleições de Mianmar, em novembro, quando disse que "não era tarde demais" para tornar o pleito "mais participativo" mediante a libertação de presos políticos.

Quanto à China, o secretário-geral "não fez nenhuma menção aos direitos humanos em seu encontro com o presidente Hu Jintao", em novembro de 2010, "tratando o tema com funcionários menores".

"Essa omissão deixou a impressão de que para o secretário-geral os direitos humanos são uma prioridade de segunda categoria", afirma o relatório.

Em resposta, o porta-voz das Nações Unidas, Farhan Haq, assegurou que o histórico e as declarações de Ban Ki-moon em matéria de direitos humanos "falam por si sós".

"O secretário-geral é um defensor dos direitos humanos no mundo todo", afirmou Haq em entrevista coletiva, ressaltando que "a diplomacia silenciosa e a pressão pública não se excluem uma à outra".

O porta-voz explicou que Ban decide em cada caso qual estratégia pode obter os melhores resultados e emprega a denúncia pública quando considera que é o melhor método para avançar na questão dos direitos humanos.

* Com EFE

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