Onda democrata predomina em quase todos os EUA e reforça maioria em Congresso

María Peña. Washington, 5 nov (EFE).- Os democratas ampliaram sua maioria em ambas as câmaras do Congresso dos Estados Unidos e reforçaram a hegemonia necessária para avançar em propostas como um segundo plano de estímulo à economia e um cronograma para a retirada das tropas no Iraque.

EFE |

Nestas eleições, que transformarão Barack Obama no primeiro presidente negro do país, os americanos compareceram em massa para votar, rejeitando as políticas impopulares de George W. Bush e atendendo a um pedido urgente de mudança.

Além da eleição presidencial, os americanos foram às urnas para renovarem a totalidade das 435 cadeiras da Câmara de Representantes, 35 das 100 cadeiras do Senado e 11 governadores, além de participarem de uma centena de referendos estaduais.

À sombra de Obama, os democratas conquistaram vitórias importantes em todo o nordeste dos EUA e também nas regiões sul e oeste, indicam os resultados preliminares.

No Senado os democratas conquistaram cinco cadeiras adicionais às 51 que mantinham até agora, número que inclui os dois independentes que costumam votar com eles.

Os republicanos, que contavam com 49 senadores, diminuíram sua presença para 40 cadeiras, à espera do encerramento da apuração dos votos em Geórgia, Minnesota, Oregon e Alasca.

Em Minnesota, por exemplo, o republicano Norm Coleman tinha vantagem muito pequena em relação ao democrata Al Franken, um popular comediante e ex-apresentador de rádio, e o independente Dean Barkley.

No Alasca, o republicano Ted Stevens enfrenta uma disputa acirrada com o democrata Mark Begich após ser condenado na semana passada por um caso de corrupção.

O vice-presidente eleito, Joe Biden, aparece como vencedor ao Senado em Delaware. No entanto, sua vaga terá que ser preenchida por uma indicação do governador de seu Estado.

Apesar de os democratas derrotarem a senadora republicana Elizabeth Dole, na Carolina do Norte, e o republicano John Sununu, em New Hampshire, além de vencer em Virgínia, Novo México e Colorado, ainda não chegaram ao "número mágico" de 60 cadeiras para contarem com a "supermaioria" na Câmara Alta.

Segundo os regulamentos do Senado, é necessário um mínimo de 60 votos para impedir qualquer tentativa da minoria de barrar os projetos legislativos.

Na Câmara de Representantes, os democratas - que contam com 235 cadeiras contra as 199 dos republicanos - aumentaram em 20 sua maioria neste órgão legislativo.

Com a derrota do legislador republicano Chris Shays, em Connecticut, os democratas ganharam todas as vagas em disputa na região da Nova Inglaterra, no nordeste do país, e conseguiram o controle absoluto de todas as cadeiras de Nova York na Câmara de Representantes pela primeira vez em 35 anos.

Apoiado pelos democratas no Congresso, Obama poderá avançar em propostas de caráter popular como um segundo plano de medidas para estimular a economia num momento em que 90% dos americanos se dizem descontentes com os rumos do país.

Entre as prioridades democratas estão ainda um cronograma de retirada das tropas no Iraque, uma maior regulação do setor financeiro, a expansão da cobertura médica para crianças, a reforma energética e maiores garantias sindicais.

A economia foi o assunto dominante durante a disputa e o que definiu a vitória de Obama e dos democratas em diversos postos estaduais e federais, indicam as pesquisas.

Obama e seus correligionários no Congresso, no entanto, enfrentam a difícil tarefa de responder à recessão e ao grave déficit fiscal, inflado pelas guerras no Iraque e no Afeganistão.

Diante desta realidade econômica, os analistas concordam que o 44º presidente dos EUA terá que adotar o pragmatismo como bandeira para alcançar suas metas.

No setor empresarial, a Câmara de Comércio dos EUA já mostrou seu compromisso para trabalhar com Obama e com o novo Congresso "para ajudar a reativar o crescimento econômico, assegurar a transição de poder e reagir aos muitos problemas graves enfrentados pelo país".

A presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, convocou uma entrevista coletiva às 12h locais de quarta-feira para apresentar o que descreveu como "uma nova direção para os EUA". EFE mp/ev/fal

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