Onda de violência xenófoba deixa 22 mortos na África do Sul

Vinte e duas pessoas morreram na onda de violência xenófoba que afeta Johannesburgo e sua periferia há uma semana, informou a polícia da África do Sul nesta segunda-feira.

Redação com agências internacionais |

"Segundo um novo balanço, chegam a 22 as pessoas mortas desde o início da violência, semana passada, e outras 217 foram presas", disse à AFP o porta-voz da polícia Govindsamy Mariemuthoo.

EFE/Kim Ludbrook
Homens armados enfrentam polícia durante conflitos
Homens armados enfrentam polícia durante conflitos

Segundo a ONG Médicos Sem Fronteiras, cerca de seis mil pessoas deixaram suas casas temendo ataques na região de Johanesburgo. Dois mil procuraram refúgio em uma delegacia de polícia no centro da cidade.

Segundo relatos, houve mais ataques nesta segunda-feira, com barracos em assentamentos de imigrantes sendo incendiados.

O correspondente da BBC na África do Sul, Peter Biles, disse que a Cruz Vermelha sul-africana lançou um apelo por US$ 130 mil em doações para ajuda de emergência aos afetados pela violência.

Segundo o correspondente, a entidade disse estar preocupada com a possibilidade de que os ataques xenófobos se alastrem por outras áreas.

Sem controle

Policiais usaram gás lacrimogêneo e balas de borracha numa tentativa de impedir que gangues de jovens armados atacassem estrangeiros e destruíssem suas propriedades.

Algumas das vítimas foram queimadas e outras espancadas até a morte. Durante a noite de sexta-feira, mais de 50 pessoas foram levadas para hospitais com ferimentos de bala e faca.

Uma igreja onde cerca de mil imigrantes do Zimbábue procuravam refúgio foi atacada.

"Nós consideramos que a situação está tão grave que a polícia não tem mais controle sobre o que está acontecendo", disse o bispo da igreja atacada, Paul Veryn.

Muitos estrangeiros se dirigiram a delegacias de polícia, levando todos os pertences que podiam carregar, em busca de proteção.

Uma mulher oriunda do Zimbábue disse à BBC que preferia voltar para seu país a perder seus dois filhos para as gangues.

Problemas sociais

A onda de violência começou há cerca de uma semana no distrito de Alexandra. Imigrantes vindos de países vizinhos foram cercados por homens levando armas e barras de ferro e gritando "expulsem os estrangeiros".

Pessoas do Zimbábue, Moçambique e Malauí fugiram para bairros próximos.

Casas foram queimadas e lojas saqueadas, e a violência se espalhou para outras áreas da cidade.

Desde o fim do apartheid, o sistema de segregação racial que vigorava na África do Sul, milhões de imigrantes se dirigiram ao país em busca de trabalho e proteção.

Mas eles acabaram sendo considerados por muitos como responsáveis por alguns dos problemas sociais da África do Sul, como a alta taxa de desemprego, a falta de moradia e um dos níveis de criminalidade mais altos do mundo.

O presidente sul-africano Thabo Mbeki disse que vai organizar um painel de especialistas para investigar as causas da violência, enquanto o líder do partido governista, Jacob Zuma, condenou os ataques.

"Não podemos permitir que a África do Sul fique conhecida por xenofobia", disse ele.

( Com informações da AFP e da BBC )

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