Onda de violência da Jamaica já contabiliza 49 mortos

Exército busca Cristopher "Dudus" Coke, cuja extradição é pedida pelos Estados Unidos

iG São Paulo |

Pelo menos 49 pessoas morreram em Kingston em consequência dos enfrentamentos armados entre soldados e policiais com grupos ligados ao narcotraficante Christopher "Dudus" Coke, que as autoridades querem extraditar aos Estados Unidos.

Após quatro dias de enfrentamentos em Kingston, capital da Jamaica, continua a escalada de violência entre as forças de segurança e os seguidores de Coke, que estão fortemente armados.

Com a apoio de tropas do exército e de helicópteros, a polícia invadiu o subúrbio de Tivoli Gardens no começo da semana, a oeste de Kingston, para prender Christopher "Dudus" Coke. Coke está refugiado no bairro de Tivoli Gardens desde que o governo da Jamaica assinou a ordem para sua extradição, na semana passada.

Os confrontos entre as autoridades jamaicanas e grupos de narcotraficantes transformaram Kingston numa zona de guerra na noite de segunda-feira. A onda de violência bloqueou o acesso ao aeroporto de Kingston e pode se estender a outras cidades do país caribenho, segundo informou o departamento de Estado americano.

Popular por sua política de assistência aos jamaicanos pobres, Coke é procurado nos Estados Unidos por tráfico de drogas e de armas, e pode ser condenado à prisão perpétua.

Simpatizantes de Coke realizaram manifestações nas ruas em protesto contra os planos de extraditar o criminoso para julgamento nos Estados Unidos. No domingo, dois policiais foram mortos e outros seis ficaram feridos em confrontos violentos na capital da Jamaica, Kingston.

O delegado de polícia, Owen Ellington, disse a seus funcionários que se defendam, por medo de que Coke e seus seguidores tenham acumulado armamento pesado. "Não hesitem em responder rapidamente e tomar decisões ativas se forem atacados por esses criminosos", disse Ellington na última segunda-feira, enquanto percorria a cidade. "Fica claro que estão empenhados em causar caos na sociedade com suas ações premeditadas, vis e frias contra a polícia", acrescentou.

Cidade sitiada

O bairro mais afetado pela onda de violência na Jamaica é o de Tivoli Gardens, na zona oeste de Kingston. Nos local, há grande apoio a Coke, que se intitula "líder comunitário". Os simpatizantes de Coke montaram barreiras nas ruas com carros destruídos e arame farpado. Pelo menos uma delegacia foi incendiada.

O apoio a Coke vem de pessoas que acreditam que ele esteja cumprindo o papel do Estado ao prestar serviços como financiamento para crianças. No entanto, o Departamento de Justiça americano afirma que o homem é um dos líderes do tráfico mais perigosos do mundo.

Coke é acusado de liderar uma quadrilha chamada "Shower Posse" (Bando da Ducha, em tradução literal, em alusão ao número de balas disparadas em tiroteios), com ramificações internacionais. Se ele for condenado nos EUA, pode receber prisão perpétua. A quadrilha também é acusada de vários crimes na Jamaica e no Estados Unidos.

No domingo, em meio a uma onda de ataques a delegacias por gangues ligadas a Coke, o governo decretou o estado de emergência na capital jamaicana.

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