Onda de violência contra estrangeiros deixa pelo menos 22 mortos na África do Sul

Vinte e duas pessoas morreram e milhares foram obrigadas a fugir de suas casas na região de Johannesburgo por causa dos ataques do final de semana contra estrangeiros, principalmente procedentes do Zimbábue, informou nesta segunda-feira a polícia sul-africana.

AFP |

Informações anteriores indicavam 12 mortos, mas "segundo um novo registro, chega a 22 o número de pessoas mortas desde o começo da violência, na semana passada, e outras 217 foram presas", disse à AFP o porta-voz da polícia, Govindsamy Mariemuthoo.

"A noite (de domingo para segunda-feira) foi relativamente calma em comparação com as anteriores, mas houve alguns incidentes e uma pessoa morreu em Alexandra", único município periférico (antigo gueto) de Johanesburgo, onde foram iniciados os ataques no dia 11 de maio, afirmaram mais cedo o chefe de polícia. A vítima foi morta a tiros.

Grupos de sul-africanos armados com machados percorreram os 'townships' da região de Johanesburgo, capital econômica do país, matando vários moradores e ateando fogo as suas casas.

Muitos sul-africanos acusam os imigrantes de países vizinhos pelo aumento do desemprego, que afeta 40% da população, e de viver de atividades criminosas.

A rádio informou que muitas pessoas pediram proteção em centros comunitários e em delegacias.

No domingo, um imigrante morreu carbonizado após ter sido amarrado com suas próprias roupas. A foto que mostra toda a sua agonia aparece na primeira página dos jornais sul-africanos desta segunda-feira.

O caso foi registrado em Reiger Park, onde nesta segunda-feira de manhã ocorreram novos incidentes.

Um homem ensanguentado e queimado nas pernas jazia junto a uma cabana.

Grupos de revoltosos atiravam pedras contra as patrulhas policiais e bloqueavam as principais vias de acesso a esta região.

"Todo isso é culpa dos zimbabuanos, que deveriam ir embora", disse uma sul-africana, que se identificou com o nome de Moxobo.

Calcula-se que nos últimos anos chegaram à África do Sul cerca de três milhões de zimbabuanos, que fogem da grave crise econômica que afeta seu país.

O presidente sul-africano, Thabo Mbeki, e Jacob Zuma, líder do partido governista (o Congresso Nacional Africano, ANC), condenaram os ataques.

O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) acusou nesta segunda-feira o governo sul-africano de não ter tratado devidamente a questão da xenofobia.

"Os problemas começaram em 1999, quando dois estrangeiros foram expulsos de um trem em Pretória", disse o diretor local do Acnur, Tseliso Thipanyan, em declarações a rádios locais.

"A magnitude do problema é um verdadeiro golpe para todos nós, mesmo se a situação atual fosse previsível", acrescentou Thipanyan, que advertiu a respeito do "fator criminoso" da xenofobia.

"Há sem dúvida uma competição por recursos escassos como casas, empregos e outros serviços", acrescentou.

fb/dm/fp

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