Pelo menos 30 pessoas morreram nos últimos dias no sul da Austrália na pior onda de calor dos cem últimos anos, que provocou incêndios e cortes de eletricidade e perturbou o Aberto de tênis da Austrália em Melbourne.

Mais de 500.000 casas e lojas de Melbourne, a segunda maior cidade do país, ficaram no escuro na noite de sexta-feira após a explosão de uma central elétrica provocada pelo calor, informaram as autoridades.

Os serviços de emergência mencionaram neste sábado 30 mortos, em maioria pessoas de mais de 70 anos, em decorrência desta onda de calor inédita desde o verão austral de 1908.

No estado de Victoria, do qual Melbourne é a capital, a temperatura chegou a 43 graus Celsius, batendo recordes pelo terceiro dia consecutivo. A onda de calor provocou vários incêndios florestais. O fogo destruiu cerca de 20 casas e devastou uma propriedade florestal de 6.500 hectares.

Segundo as autoridades, grandes incêndios continuavam neste sábado no vale de Latrobe, uma zona rural a cerca de 100 km de Melbourne. Várias casas estão ameaçadas.

"Isso é sem precedente, trata-se da semana mais quente desde que começamos a calcular os índices", declarou o chefe do estado de Victoria, John Brumby. O primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, falou num "momento terrível" e qualificou o sul do país de "verdadeiro caldeirão".

O calor também perturbou o Aberto da Austrália, que termina domingo em Melbourne com a final masculina entre Roger Federer e Rafael Nadal. A americana Serena Williams, que faturou o título ao derrotar a russa Dinara Safina na final deste sábado, qualificou sua partida de quarta-feira contra a russa Sveltana Kuznetsova de experiência "extra-corporal".

No início da semana, o sérvio Novak Djokovic, atual campeão em Melbourne, jogou a toalha contra o americano Andy Roddick nas quartas-de-final por exaustão. Neste sábado, a temperatura nas quadras de Melbourne Park foi um pouco mais amena, de cerca de 30 graus.

Ao contrário, o mercúrio superou novamente os 40 graus no estado da Austrália do Sul, onde a onda de calor foi considerada responsável por muitas mortes repentinas.

Um porta-voz dos serviços de emergência declarou ter recebido um número recorde de ligações mencionando várias "mortes inesperadas".

No estado de Victoria, o número de ligações de emergência cresceu 70%, e as equipes médicas tiveram de ser reforçadas.

Em Melbourne, o corte de eletricidade de sexta-feira provocou o cancelamento de todos os trens. Vários prédios tiveram de ser evacuados, e socorristas foram enviados para liberar pessoas bloqueadas em elevadores.

Muitos hospitais da região tiveram que funcionar com geradores de emergência, e foram obrigados a recusar pacientes.

"São condições totalmente peculiares. Alguns de nossos aparellhos não foram concebidos para funcionar com temperaturas de 44 ou 45 graus", destacou Brumby.

De acordo com os serviços meteorológicos australianos, estas temperaturas extremas, que atingiram inacreditáveis 48 graus em alguns lugares do país, devem continuar na próxima semana.

ajc/yw

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