Genebra - A Organização Mundial da Saúde (OMS) teme uma possível pandemia por causa de um novo vírus de gripe suína, que matou pelo menos 20 pessoas no México e que também afeta os Estados Unidos, motivo pelo qual pede à comunidade internacional para que redobre a vigilância.

Este foi o parecer dado hoje pela diretora geral da OMS, Margaret Chan, que retornou de forma antecipada a Genebra de uma visita aos EUA para estar à frente do grupo de especialistas que estudam se há a necessidade de declarar uma emergência sanitária mundial.

"Um novo vírus é o responsável por esses casos no México e nos EUA. Estamos muito preocupados, é uma situação muito grave que deve ser vigiada muito de perto", disse Chan em entrevista coletiva concedida por telefone.

"A situação está evoluindo muito rapidamente e é imprevisível", acrescentou a diretora geral da OMS.

Embora a organização ainda não tenha declarada a epidemia como um perigo mundial, Chan afirmou que "se trata claramente de um vírus animal transmitido ao homem, e isso tem um potencial pandêmico, porque está infectando as pessoas".

No entanto, esclareceu que não é possível dizer por enquanto se haverá epidemia.

A diretora geral da OMS disse que o comitê de emergência da entidade, reunido hoje em Genebra, "examinará uma série de questões e possivelmente emitirá recomendações temporárias" para resguardar a saúde pública, as quais podem ir desde conselhos para viagens a restrições comerciais.

Embora Chan tenha dito que não houve identificação de outros focos da doença fora do México e dos EUA, afirmou que a OMS pediu a todos os países para que alertem imediatamente caso registrem casos anormais de pneumonia ou de gripe fora da estação habitual ou dos grupos que costumam ser mais afetados, como crianças e idosos.

Chan confirmou que os adultos jovens e com boa saúde são o grupo mais afetado por este surto de gripe suína, mas desmentiu as informações de que muitos trabalhadores do setor de saúde tenham sido contaminados pela doença.

"No México, há dois trabalhadores do setor de saúde que contraíram a doença, e nossos especialistas estão estudando, com as autoridades mexicanas, em que circunstâncias isso ocorreu", ressaltou.

Até o momento, há 20 mortes confirmadas no México devido à gripe suína, mas há mais de mil pacientes com pneumonia em observação para detectar se também foram infectados pelo novo vírus.

Chan disse que os casos nos EUA, onde não houve mortes, são leves.

O que mais preocupa à OMS é que já houve casos em que o vírus foi transmitido de pessoa a pessoa.

O vírus foi identificado como A/H1N1, um variante nova da gripe suína para a qual não existe uma vacina.

Chan disse que "ainda é cedo para dizer se há uma relação" entre este vírus e o da gripe espanhola de 1918, que matou mais de 25 milhões de pessoas.

Entretanto, lembrou que "há semelhanças porque, assim como neste caso, os mais afetados são os adultos jovens com boa saúde".

Segundo um documento divulgado hoje pela OMS, o perigo da epidemia mundial reside no fato de que "a maioria das pessoas, especialmente todos aqueles que não têm contato regular com porcos, não estão imunizados frente aos vírus suínos".

"Se um vírus suíno estabelece uma transmissão efetiva de humano a humano, pode causar uma pandemia de gripe, cujo impacto é difícil de prever", acrescenta o documento.

Chan disse na entrevista coletiva que o vírus é sensível ao remédio Tamiflu, o mesmo que usado contra a gripe aviária, e assinalou que México e EUA têm reservas suficientes do medicamento.

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