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OMS se prepara para pânico em caso de passagem para a fase 5

O eventual anúncio da Organização Mundial de Saúde (OMS) da fase de alerta 5, indicando que uma pandemia é iminente, não deve provocar pânico, prevê Sylvie Briand, diretora interina do Programa de Epidemias e Pandemias de gripe da OMS, entrevistada pela AFP.

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AFP - Por que este vírus da gripe suína preocupa as autoridades sanitárias mundiais?

Sylvie - O vírus foi descoberto no México após um segundo pico inesperado de gripe comum em meados de março. Os estudos de laboratório mostraram que este vírus era de um tipo totalmente novo que surpreendeu os especialistas mexicanos. Estes alertaram a OMS, como está previsto no Regulamento Sanitário Internacional da organização. Nesse mesmo momento, os americanos faziam a mesma constatação, alertando também a OMS. O que é preocupante neste vírus é que seu ineditismo supõe que a população mundial não tem imunidade contra ele. Além disso, este vírus ainda pode evoluir, como todos os vírus e essa evolução é muito imprevisível. Por essas razões, estamos preocupados com sua propagação, mesmo que hoje ainda não tenhamos informações suficientes.

AFP - Quais são os elementos que desencadearão o nível de alerta pandêmico da fase 5, estado no qual a pandemia é considerada iminente?

Sylvie - Para anunciar a fase 5, segundo os critérios da OMS, é preciso um segundo foco autônomo da doença além do México. Hoje, sabemos que temos uma transmissão entre humanos que pode superar três gerações de casos, mas gostaríamos de saber se essa transmissão vai além das pequenas comunidades fechadas. Atualmente, aguardamos os resultados das pesquisas nos Estados Unidos (onde 65 casos foram oficialmente confirmados) e no Canadá. Se (houver) informações segundo as quais há casos de transmissão fora de uma escola e fora das famílias dos alunos, então isso significa que a epidemia saiu de seu pequeno círculo. Mas essa avaliação deve ser muito precisa porque passar de uma fase a outra tem consequências importantes. Apesar disso, a passagem para a fase 5 não deve gerar pânico, e sim uma conscientização para que todos se preparem para um agravamento da situação, mesmo que todas as medidas sejam adotadas para que não haja tal cenário.

AFP - Estamos mais bem preparados para uma pandemia de gripe de origem animal?

Sylvie - Em cada época temos nossas forças e fraquezas. Nossas fraquezas são os transportes aéreos e a rapidez dos deslocamentos. Mas nossas forças, são os antibióticos, os antivirais e as vacinas. Depois da gripe aviária, praticamente todos os países desenvolveram planos de preparação para uma pandemia e estão mais bem preparados do que em 2003. Tiramos as lições de nossas experiências, estamos certamente mais fortes hoje.

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