Por Jonathan Lynn GENEBRA (Reuters) - A Organização Mundial da Saúde (OMS) reiterou na terça-feira a estimativa de que cerca de 2 bilhões de pessoas deverão pegar a gripe H1N1 até o fim da pandemia.

A estimativa, entretanto, vem com um grande alerta sanitário: ninguém sabe quantas pessoas já foram infectadas até agora pela nova cepa de vírus influenza, e o número final nunca será conhecido, já que muitos casos são tão leves que podem passar despercebidos.

"Até o fim da pandemia, entre 15 e 45 por cento da população terá sido infectada pelo novo vírus pandêmico", disse a porta-voz da OMS Aphaluck Bhatiasevi em um comunicado.

"Trinta por cento é uma estimativa média e 30 por cento da população mundial é 2 bilhões."

"Devemos lembrar, entretanto, que as tentativas de estimar as taxas de infecção podem ser apenas aproximações grosseiras", acrescentou.

No começo do surto, detectado em abril, o médico Keiji Fukuda, diretor-geral adjunto da agência da ONU, alimentou as acusações de que a OMS estava criando pânico com relação à doença, conhecida como gripe suína, quando mencionou o número de 2 bilhões.

A OMS, no entanto, que elevou o alerta global de gripe para o nível mais alto no dia 11 de junho, declarando situação de pandemia, disse que a cepa está se propagando de forma mais rápida que as pandemias de gripe anteriores.

Ao mesmo tempo, como a maior parte das vítimas apresentam apenas sintomas leves, a agência disse aos países que não precisariam notificar todos os casos, mas concentrar o monitoramento em aglomerações suspeitas da doença e no rastreamento das mortes.

Bhatiasevi disse em uma entrevista coletiva que a OMS está coordenando uma rede de instituições independentes para estimar o número total de casos. Como ninguém atualmente tem essa estimativa, não é possível determinar a taxa de mortalidade do

H1N1.

A mais recente atualização da OMS, de 27 de julho, dizia que um total de 816 pessoas havia morrido em razão do H1N1, enquanto o número total de casos confirmados por laboratório, incluindo as mortes, chegava a 134.503 --provavelmente bem abaixo do número total real de infecções, que pode já ter chegado à casa dos milhões, de acordo com especialistas em saúde pública.

À medida que o outono se aproxima no Hemisfério Norte e, com ele, o começo da gripe sazonal, a OMS está trabalhando com laboratórios farmacêuticos para garantir a disponibilização de vacinas que combatam tanto a gripe sazonal como a H1N1.

A porta-voz da OMS Fadela Chaib disse que a agência espera dar informações atualizadas sobre os planos para a vacina ainda esta semana.

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