OMS recomenda vigilância a países que derem vacina contra gripe

Genebra, 6 ago (EFE).- A Organização Mundial da Saúde (OMS) aconselhou hoje que os países que planejam administrar rapidamente a vacina contra a gripe suína a suas populações que realizem uma vigilância intensa sobre a segurança e eficácia depois da vacinação.

EFE |

A OMS considera imprescindível esta vigilância, já que vários países, entre eles os da Europa e os EUA, planejam aprovar a vacina contra este novo vírus por via de urgência, o que implica em suspender alguns testes clínicos, segundo um documento divulgado hoje pelo organismo.

Nele, o organismo adverte que "alguns efeitos colaterais que aparecem raramente nos testes clínicos podem se tornar mais evidentes quando um grande número de pessoas recebe uma vacina pandêmica".

Acrescenta que "a pressão do tempo significa que os dados clínicos no momento em que a vacina pandêmica for administrada serão inevitavelmente limitados. Serão necessários mais testes sobre a segurança e a eficácia, depois que se tiver começado a administração da vacina".

A recomendação da OMS ocorre depois que organismos reguladores como a Agência de Remédios Europeia (Emea, em inglês) e países como os EUA, assim como vários laboratórios, anunciaram que planejam desenvolver e administrar a vacina a partir de setembro, antes da chega do inverno no hemisfério norte, o que implicaria em reduzir o processo de provas e testes clínicos.

A OMS calculava, até agora, que uma vacina contra este novo vírus pandêmico só estaria pronta pelo menos em novembro, passando por todos os testes clínicos de rigor.

Em seu documento, a OMS detalha os prós e contras de acelerar a aprovação desta vacina, que alguns países da Europa planejam administrar de forma maciça ou a grande parte da população.

Por um lado, lembra que, durante as pandemias de 1957 e 1968, as vacinas chegaram tarde demais para ser usadas como um meio efetivo de mitigação durante as fases mais graves, e, na de 1918, quando não houve vacinas, cerca de 50 milhões de pessoas morreram.

Por isso, a OMS indica que, desde 2007, trabalhou com as agências reguladoras, responsáveis sanitários e produtores de vacinas pandêmicas para buscar formas de diminuir o tempo entre o surgimento do vírus e a produção de uma vacina "segura e efetiva".

O organismo explica alguns dos procedimentos usados para isso "que podem acelerar muito a aprovação da vacina".

No entanto, adverte que "assuntos relacionados à segurança surgirão inevitavelmente durante uma pandemia, quando a vacina for administrada em grande escala".

Por um lado, a OMS considera que as campanhas de vacinação maciças têm "a parte positiva que podem gerar dados significativos sobre segurança em poucas semanas".

Mas ressalta que "será vital que se compartilhe em nível internacional os dados de vigilância posteriores ao início das campanhas, para poder avaliar a relação risco-benefício e determinar se são necessárias mudanças na política de vacinação".

Apesar do nome, a gripe suína não apresenta risco de infecção por ingestão de carne de porco e derivados. EFE vh/an

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