Genebra, 28 abr (EFE).- A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu hoje aos Governos de todo o mundo que devem manter a vigilância contra a gripe suína, apesar dos casos confirmados até agora serem aparentemente leves, à exceção dos que causaram mortes no México.

"É cedo demais para dizer como seria uma possível pandemia desta gripe suína. A pior pandemia do século 20, a gripe de 1918 (que matou entre 25 milhões e 40 milhões de pessoas) começou relativamente leve e depois se tornou muito grave", disse o diretor-geral adjunto para segurança sanitária da OMS, Keiji Fukuda.

"Temos que ter muito respeito com o vírus da gripe, que pode evoluir de forma imprevisível", acrescentou.

Fukuda confirmou que a OMS mantém o nível de alarme pandêmico na fase 4 (de uma escala que vai até 6), pois ainda não há confirmação que tenha havido contágios do vírus entre estudantes da escola de Nova York afetada, nem que alunos que não estiveram no México tenham sido infectado.

"Neste momento, uma pandemia não é inevitável, mas nós levamos essa possibilidade muito a sério", assinalou.

Segundo ele, esse status ocorrerá quando for verificada alguma transmissão de uma pessoa para outra fora do território do México, onde surgiu o foco.

Por enquanto, todos os 79 casos confirmados pela OMS são de pessoas que estiveram no México.

"É muito importante levar em conta essa diferença epidemiológica, pois, embora o vírus tenha chegado ao Reino Unido e à Nova Zelândia, isso não significa que esteja estabelecido em uma comunidade", insistiu.

Fukuda informou que, de acordo com os dados recebidos pela OMS, só há 79 casos de infecção no mundo confirmados pelos laboratórios, e de sete mortos, todos eles no México.

Os casos confirmados pela OMS, que é informada regularmente pelos Governos são: 40 nos EUA, 26 no México, 6 no Canadá, 2 na Espanha, 2 no Reino Unido e 3 na Nova Zelândia.

A estatística da organização contrasta, entretanto, com as do Governo mexicano, que já divulgou 20 mortes como sendo confirmadamente pela gripe suína, enquanto segue fazendo testes para saber se outras 132 pessoas que morreram recentemente com sintomas semelhantes tiveram a mesma doença.

"Sabemos que a situação muda constantemente e que os países confirmaram mais casos, mas estes são aqueles dos quais recebemos informação", esclareceu Fukuda.

Ele também disse que o momento atual, quando a pandemia ainda não é iminente nem inevitável, "é muito importante para que os países se preparem adequadamente para essa possibilidade".

E, pela primeira vez desde que começou esta crise, o representante da OMS disse que, em caso de uma pandemia mundial de gripe suína, "os países pobres e em desenvolvimento, com menos recursos, sofrerão as piores consequências".

Fukuda repetiu mais de uma vez, entretanto, que a OMS não tem uma explicação científica de por que as infecções em outros países são relativamente leves enquanto no México ocorreram casos de pneumonias graves e mortes.

Ele também disse que a OMS não pretende, por enquanto, mudar o nome desta doença pata atender pedidos de criadores de porcos, de entidades de defesa de animais nem por alegados motivos religiosos.

"A crise começou com o nome de gripe suína, e o vírus que se identificou é um vírus de gripe suína", enfatizou.

O porta-voz da OMS Gregory Hartl acrescentou que quatro laboratórios de referência a Organização estão trabalhando para reproduzir a cepa de base do vírus, necessária para a fabricação de uma vacina.

Ele ponderou, no entanto, que "o sinal (para a produção de vacinas contra a gripe suína) não será dado antes que se entre na fase 5" de alarme pandêmico.

Isso, segundo ele, porque esta medida causaria uma redução drástica na produção das vacinas normais contra a gripe sazonal. EFE vh/jp

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