OMS pede a farmacêuticas que produzam vacina contra gripe suína

Isabel Saco. Genebra, 1 mai (EFE).- A Organização Mundial da Saúde (OMS) entrou em contato com a indústria farmacêutica para que produza uma vacina contra a gripe suína, causada pelo vírus AH1N1, que, no entanto, não estará disponível antes de quatro ou seis meses.

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"Não temos dúvidas de que é possível produzir uma vacina bem-sucedida em um período de tempo relativamente curto", disse a diretora da OMS para a Investigação de Vacinas, Marie-Paule Kieny.

No entanto, esta não estará disponível antes de "quatro ou seis meses", pois a produção é um processo muito complexo que inclui testes clínicos em pessoas, acrescentou.

Kieny ressaltou que os estudos realizados confirmaram que a vacina contra a gripe comum não é eficaz para prevenir o novo vírus AH1N1.

"A opinião e o consenso dos especialistas e cientistas atualmente é que a vacina não oferece proteção (contra a gripe suína)", afirmou.

A diretora para a Investigação de Vacinas da OMS explicou que não se pode esperar declarar oficialmente uma pandemia de gripe suína para começar a produzir remédios capazes de impedir o contágio, e destacou a "tremenda experiência da indústria em fazer vacinas para a gripe comum".

A especialista lembrou que a organização já entrou em contato com "todas" as fabricantes de vacinas contra a gripe para produzir a que for necessária contra o vírus AH1N1, cuja origem é animal, mas que acabou se convertendo em humano.

A doença já infectou pelo menos 331 pessoas em 11 países, das quais dez morreram, de acordo com os últimos dados da organização de saúde.

Kieny disse que entre as companhias contatadas estão algumas de países em desenvolvimento, entre eles o Brasil.

Além disso, a especialista da OMS ressaltou que os esforços serão dirigidos a produzir uma só vacina, já que o vírus que se originou no México, mas que se espalhou para Estados Unidos, América Latina, Europa, Ásia e Oceania é o mesmo em todos os lugares, e a propagação é decorrência das viagens.

Sobre a agressividade que o vírus demonstrou no México, onde foram registradas nove das dez mortes confirmadas - a décima foi um bebê mexicano de 23 meses que passava férias com a família nos Estados Unidos -, Kieny admitiu que "não existe uma explicação satisfatória".

A diretora para a Investigação de Vacinas da OMS foi perguntada sobre qual seria o custo do tratamento, e respondeu que "é muito cedo para saber", mas assegurou que uma das prioridades será torná-la acessível "para as pessoas mais pobres".

Por enquanto, disse, "mais do que falar sobre o custo, estamos falando em disponibilidade".

Além disso, Kieny adiantou que, "em poucas semanas", laboratórios interromperão a produção de vacinas para a gripe comum para começar a trabalhar na solução imunológica.

Ele explicou que a produção de vacinas contra a gripe comum para o inverno já terminou, enquanto para o hemisfério norte se encontra em diferentes períodos conforme o fabricante, alguns dos quais avançaram até 60%.

Atualmente, a capacidade de produção dessa vacina é de 700 milhões de doses anuais, informou a especialista da OMS, que disse que é difícil antecipar qual será a capacidade no caso da nova vacina porque, em grande parte, "isso depende da tecnologia que for utilizada".

No entanto, quis dizer que inclusive "poderia ser mais fácil".

EFE is/db

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