OMS muda denominação do vírus da gripe suína e pede cautela

Marta Hurtado. Genebra, 30 abr (EFE).- A Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu hoje mudar o nome da até então chamada gripe suína para gripe AH1N1 após reconhecer que o vírus está se transformando em humano, e que não para de se expandir.

EFE |

"A razão pela qual decidimos deixar de usar o nome gripe suína é porque o vírus está em processo de se transformar em um vírus de gripe humana", assegurou o diretor-adjunto da organização, Keiji Fukuda, que acrescentou que "não deveríamos entrar em pânico, mas simplesmente ficar alerta".

"Estávamos recebendo relatos de que em alguns lugares os porcos estavam sendo sacrificados, e isso não é bom. Os animais não são os culpados do que está acontecendo", confirmou o diretor.

Fukuda explicou que a OMS recebeu queixas de algumas entidades internacionais, como a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), e que tinha conhecimento de que as associações de criadores de porcos reclamavam os prejuízos causados pela relação estabelecida entre os animais e a doença.

Ele ressaltou que, para substituir a denominação original, vários nomes estavam sendo sugeridos, a maioria com relação a uma região geográfica específica, "o que estava criando uma grande confusão, e, por isso, decidimos colocar um que não crie estigmas para ninguém".

Por isso, a OMS decidiu chamar o vírus de Hemagglutinin 1 Neuraminidase 1 (H1N1), que é a definição da gripe estacional, e acrescentar um A por ser novo, e porque esta letra designa o tipo de vírus que tem o potencial de se transformar em pandemia.

Questionado sobre como o vírus deveria ser chamado no dia a dia, devido à dificuldade envolvendo o nome escolhido, Fukuda respondeu: "o novo H1".

Segundo ele, isso se justifica porque o vírus da gripe aviária se denomina cientificamente H5N1, mas de forma corrente era chamado de "H5".

Em relação às consequências que teria o fato de o hemisfério sul estar se encaminhando para o inverno, época do ano mais propicia para desenvolver quadros de gripe, Fukuda diminuiu a importância disso e ressaltou que o importante é estar preparado.

"É a época do ano mais propicia para se contagiar com uma gripe e, por isso, é preciso ter atenção, mas só isso. Alguns países estarão melhor preparados que outros, os mais pobres estarão pior porque têm menos recursos para enfrentar uma possível pandemia, e esses precisam de ajuda", ressaltou.

Neste sentido, explicou que as necessidades dos países menos desenvolvidos já estão sendo avaliadas, assim como mandar a essas nações os antivirais disponíveis para tratar dos eventuais doentes.

O diretor explicou que o vírus da gripe é muito instável e que é normal que haja momentos em que pareça que diminui a incidência em um país e, poucos dias depois, a tendência seja a inversa, "por isso resta esperar que haja momentos nos quais pareça que a incidência está caindo e outras aumentando de forma aguda".

Além disso, explicou que o vírus passa por mutações, que isso é normal, e que disso deriva a dificuldade de defini-lo e prever seu comportamento.

No entanto, reiterou que, por enquanto, não se chegou à fase 6, na qual já se pode constatar que o vírus alcançou o nível de pandemia.

No entanto, a ONU recomendou hoje aos funcionários não viajar às zonas de risco a menos que seja estritamente necessário para evitar possíveis contágios.

Segundo os últimos dados da agência da ONU, o número de pessoas infectadas com o vírus da gripe AH1N1 chegou a 236 pessoas.

Este significativo aumento, em relação aos 148 casos contidos no último balanço, deve-se, sobretudo, a que o México está verificando várias infecções em laboratórios. EFE mh/db

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