Diante do recente aumento do número de casos da gripe suína, a Organização Mundial da Saúde (OMS) realiza no início da tarde desta quinta-feira uma reunião do Comitê de Urgência para analisar a propagação do vírus H1N1. A expectativa é de que a OMS anuncie a passagem na escala de alerta pandêmico para a fase 6, o nível máximo, que estabelece a doença como pandemia global.

De acordo com o mais recente balanço divulgado pela OMS na última quarta-feira, foram registrados, em apenas dois dias, 2.449 novos casos da gripe - também chamada de gripe A - no mundo, sendo 1.283 no Chile, 173 na Austrália, 33 na Argentina e 331 no Canadá.

Nesta quinta-feira, Hong Kong, anunciou o fechamento por duas semanas de todas as suas creches e escolas primárias, após a confirmação de que 12 estudantes estão contaminados com o vírus. A ilha registrou 50 casos até agora.

Em entrevista à BBC Brasil nesta quinta-feira, a diretora interina mundial para a gripe da OMS, Sylvie Briand, não confirmou que o nível de alerta será aumentado, mas afirmou que os dados recolhidos até o momento indicam que há transmissão do vírus em larga escala entre humanos em países fora da América do Norte, como no Chile, por exemplo.

A transmissão intercomunitária do vírus assim como a extensão geográfica dos novos casos são os principais critérios analisados pela OMS para determinar a passagem da atual fase 5 para a fase 6, o nível máximo na escala de alerta de pandemias.

No último dia 5 de junho, após reunião do comitê de emergência, a OMS anunciou que também iria levar em consideração o grau de severidade do vírus.

"A decisão de passar para a fase 6 vai, por um lado, confirmar a constatação de que o vírus se propaga rapidamente em escala mundial e, por outro lado, colocar em evidência necessidade de ações internacionais coordenadas, já que a epidemia não se restringe mais a somente alguns países ou regiões do mundo", explica.

Sylvie Briand descartou, entretanto, que a nova fase justifique, por parte da OMS, recomendar aos países mais afetados que limitem as viagens internacionais.

Ainda segundo a Dra. Briand, a propagação diferenciada do vírus H1N1 na América do Sul se explica, principalmente, pelas diferenças climáticas, geográficas e a densidade da população.

"É normal que nos países de clima frio, durante a época em que a gripe sazonal é mais frequente, o vírus se propague mais rapidamente. Mas também se deve levar em conta o sistema de vigilância sanitária de cada país, que pode ou não detectar a transmissão do vírus".

Segundo ela, o vírus vai continuar a se disseminar no continente, principalmente nos países do sul da região.

Caso a OMS confirme a passagem à nova fase, essa será a primeira pandemia oficial declarada desde 1968, quando um surto de gripe causou a morte de mais de 1 milhão de pessoas em todo o mundo.

Até o momento, a OMS contabiliza 27.737 casos de gripe A no mundo e 141 mortes. No Brasil, segundo o último balanço da Organização, foram registrados 36 casos.

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