OMS eleva nível de alerta por gripe suína e adverte de pandemia

Marta Hurtado. Genebra, 29 abr (EFE).- A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou hoje o nível de alerta pandêmico por causa da gripe suína para a fase cinco (em um escala até seis), diante da expansão do vírus.

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"Por definição, considera-se que existe uma pandemia quando há transmissões de humano para humano em múltiplos países de múltiplas regiões", disse em entrevista coletiva o diretor-geral adjunto para segurança sanitária da OMS, Keiji Fukuda.

"Agora temos contágios em dois países de uma mesma região, mas estamos vendo uma rápida expansão, pelo que achamos que a epidemia é iminente", acrescentou.

Fukuda explicou, desta forma, o anúncio feito minutos antes pela diretora geral da instituição, Margaret Chan, que justificou a decisão tomada com base nas consultas que manteve com o Comitê de Emergência, reunido de forma virtual pela terceira vez esta semana.

"A pandemia de gripe tem a capacidade de se estender rapidamente a qualquer país do mundo. É melhor estar preparados", assegurou Chan.

Segundo os dados da OMS, confirmados por seu próprio laboratório, foram ratificados 114 casos no mundo: 64 nos Estados Unidos, 26 no México, 13 no Canadá, quatro na Espanha, três na Nova Zelândia, dois no Reino Unido e dois em Israel.

Quanto a vítimas fatais, a entidade só confirma sete casos no México e um bebê nos Estados Unidos, os dois países nos quais foi comprovado o contágio em uma mesma comunidade sem que os doentes tenham tido contato direto entre eles.

De acordo com as normas da OMS, ao atingir o nível 5, os países devem passar da fase de preparação e ativar os programas de contenção para evitar mais contágios.

"Todos os países deveriam ativar os programas ao mais alto nível de alerta", afirmou a diretora geral.

Isso significa ter a mãos a vacina - se existir - e aplicar uma vasta campanha de imunização; se não houver vacina, os países deveriam obter antivirais suficientes; e espaço disponível nos hospitais.

"Talvez as aulas devessem ser suspensas, os horários de trabalho ser alterados. Isso cada país deve determinar", explicou Fukuda.

Chan deixou claro que as adaptações realizadas não devem ser drásticas, somente se for absolutamente necessário: "A OMS não recomenda o fechamento das fronteiras para as pessoas nem as mercadorias".

Além disso, a diretora-geral ressaltou que "a carne de porco pode ser consumida sem risco sempre que esteja bem cozida".

Em relação à gravidade da pandemia, Chan disse que é a principal pergunta que todos os cientistas se fazem, mas que ainda não tem resposta, pois há muitos casos e circunstâncias distintas, mas chamou a atenção para que a pandemia não afete mais os países pobres que os ricos por falta de recursos.

Neste sentido, ela explicou que entrou em contato com o Banco Mundial (BM) para explicar sobre a necessidade de colocar à disposição recursos e vias de financiamento para os países que precisarem.

"Temos casos onde os sintomas são leves, pessoas que se curaram sem necessidade de remédios e outros nos quais sintomas foram como os de uma pneumonia, é por isso que é muito difícil determinar o alcance da iminente pandemia", esclareceu.

Em relação aos remédios disponíveis para combater a gripe suína, Chan explicou que tinha conversado com as empresas que os fabricam e que todas tinham mostrado disposição para, caso seja necessário, levantar as patentes e permitir a autorização a indústrias em países em desenvolvimento para que os fabriquem.

Chan destacou que "o mundo está hoje melhor preparado que nunca para enfrentar uma pandemia" graças ao que aprendeu nas crises do Sars e da gripe aviária, por isso fez um apelo para que o mundo tenha consciência da situação, mas se "mantenha calmo e confiante".

EFE mh/db

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