GENEBRA - Os surtos de gripe suína no México e nos Estados Unidos têm o potencial para causar uma pandemia mundial, mas é cedo demais para afirmar se isso vai ocorrer, disse neste sábado a chefe da Organização Mundial da Saúde. Ela tem potencial de pandemia porque está infectanto pessoas, disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan. Os países que ainda não foram atingidos devem aumentar sua vigilância, advertiu.

A nova cepa de gripe - uma mistura de vírus das gripes suína, humana e aviária, que matou até 68 pessoas entre 1.004 casos suspeitos no México e infectou oito pessoas nos Estados Unidos-- ainda é pouco compreendida e a situação está evoluindo rapidamente, disse Chan em uma teleconferência.

A OMS disse estar "muito preocupada". Chan disse ainda que o surto "é muito grave", de evolução imprevisível e deve ser "vigiado de perto".

Reuters
Mulheres aguardam atendimento em clínica do México

Mulheres aguardam atendimento em clínica do México

Um comitê emergencial de especialistas, reunidos rapidamente, irá aconselhá-la sobre questões incluindo possivelmente a mudança no nível de alerta de pandemia da OMS, atualmente em 3 numa escala que vai do 1 ao 6.

É "prematuro demais nesse estágio" para a OMS anunciar qualquer alerta de viagem, uma vez que melhores análises dos casos e outros dados clínicos são necessários, afirmou.

"Ainda não temos um cenário completo da epidemiologia ou risco, incluindo possível disseminação além das áreas afetadas", apontou Chan. "Apesar de tudo, na avaliação da OMS, esta é uma situação séria."

Também é cedo demais para a agência da ONU aconselhar empresas farmacêuticas a mudar para produção de uma nova vacina --a ser derivada a partir do novo vírus-- de sua produção tradicional de vacinas de influências sazonais, explicou.

Campanha

O governo do México anunciou estar preparando uma campanha de vacinação em massa para deter o avanço da doença. "Estamos enfrentando um novo vírus de gripe, que agora é uma epidemia respiratória controlável. Seus sintomas são febre acima de 39 graus que aparece repentinamente, tosse, fortes dores de cabeça, musculares e nas juntas, irritação nos olhos e secreção nasal. Como resultado, o Ministério da Saúde recomenda que as pessoas evitem lugares lotados ou eventos onde o comparecimento não seja estritamente necessário", afirmou.

Além de evitar lugares lotados, o governo também aconselhou a população a evitar algumas formas de contato físico e o compartilhamento de objetos de cozinha como canecas e pratos.

AP

Gripe suína assusta mexicanos, que fazem fila em frente a hospital

Segundo o ministro da Saúde mexicano, os primeiros indícios apontam que o surto de gripe suína teve origem na Europa ou na Ásia, "sofreu mutações, foi transportado por um indivíduo e depois começou a se reproduzir".

Caso haja algum tipo de restrição a deslocamentos pela fronteira ou pânico entre consumidores, o surto da gripe suína pode prejudicar o comércio e as viagens entre Estados Unidos e México, de acordo com analistas. Não está claro qual será o impacto da epidemia, mas os setores naval e turístico estão especialmente em alerta.

"Se houver uma mudança significativa na demanda, pode-se acabar com um efeito muito substancial sobre os nossos produtos, seja (por causa de) restrições impostas pelo governo ou, alternativamente, se os consumidores simplesmente decidirem dizer 'não'", disse Bob Young, economista-chefe da Federação Americana do Burô da Agricultura.

Contudo, qualquer restrição ao comércio exterior devido à epidemia partiria do Departamento de Agricultura dos EUA, que tem o poder de "paralisar o movimento", segundo Russell Laird, diretor-executivo das Associações Americanas de Caminhões para o transporte agroalimentício. "Até agora não ouvimos nada, mas se esse apelo for feito certamente faremos nossa parte", disse ele.

Katherine Andrus, conselheira-geral da Associação do Transporte Aéreo (ATA), disse que a entidade está atenta às orientações dos órgãos de saúde, mas que por enquanto não há decisões no sentido de restringir as viagens entre EUA e México. "Realmente não esperaríamos uma suspensão do tráfego aéreo internacional por causa de algo assim."

(*com informações da Reuters, AFP e BBC)

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