OMS diz que gripe pode chegar a 2 bilhões e isenta consumo de carne de porco

Virgínia Hebrero. Genebra, 7 mai (EFE).- A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou hoje que o vírus da gripe suína continua se espalhando e pode chegar a infectar um terço da população mundial, mas lembrou que consumir carne de porco e seus derivados é seguro.

EFE |

O diretor-geral adjunto da OMS, Keiji Fukuda, lembrou que a organização insiste desde o princípio da crise, há quase duas semanas, em que "a situação evolui e não se sabe como isso vai acontecer".

"Estamos caminhando rumo a uma pandemia", afirmou Fukuda, para quem "uma estimativa razoável é de que um terço da população mundial será infectada".

Isso significa quase dois bilhões de pessoas contaminadas pelo novo vírus da gripe, mas, de acordo com o especialista, é impossível fazer previsões por enquanto de quanta gente poderia morrer.

"Continuamos sem saber como o vírus vai evoluir. Embora a maioria dos casos seja leve até agora, isso pode mudar, e não sabemos quanta gente desenvolverá pneumonias graves, nem quantos morrerão", ressaltou Fukuda.

Por isso, a OMS insiste em que este é o melhor momento para que os países se preparem adequadamente para o risco de uma pandemia.

A organização considera especialmente preocupante a possível expansão do vírus pelo hemisfério Sul, onde o inverno está próximo.

Além disso, a região possui muitos países em desenvolvimento com população jovem e mais vulnerável.

Fukuda disse que, por enquanto, não há motivo para elevar o nível de alerta de pandemia para a fase 6, a mais alta de sua escala, destacando que apenas uma transmissão do vírus de pessoa a pessoa foi confirmada, e só na América do Norte.

O diretor adjunto também aproveitou a entrevista coletiva diária da OMS para esclarecer toda a polêmica surgida em torno da segurança do consumo de carne de porco e de derivados, depois de um representante da entidade ter semeado a dúvida ontem.

Fukuda disse que não estava desautorizando tal especialista, Jorgen Schlundt, mas argumentou que "alguns extremos expressados por ele não foram bem entendidos" por parte da imprensa.

"Temos uma mensagem muito clara. Comer porco não é perigoso para as pessoas, se bem cozido", disse.

De qualquer forma, o representante da OMS esclareceu que "certamente é preciso ter o cuidado de não consumir carne de animais dos quais não se sabe como morreram".

A OMS, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, em inglês) e a Organização Mundial para a Saúde Animal (OIE) reiteraram hoje um comunicado conjunto emitido no último dia 30, no qual estabelecem que não há perigo de contrair a gripe por meio do consumo de porco.

Segundo as entidades, "os tratamentos de calor empregados comumente para cozinhar a carne (70°C) desativam imediatamente qualquer vírus que possa estar potencialmente presente em produtos de carnes cruas".

Por fim, afirmam que "o porco e seus produtos derivados, manuseados de acordo com as boas práticas de higiene recomendadas pela OMS, pela Comissão de Código Alimentício e a OIE, não serão fonte de infecção".

As três organizações só pedem às autoridades e aos consumidores para que tenham a certeza de que a carne de porcos doentes ou de animais que tenham sido encontrados mortos não seja usada para o consumo humano em nenhuma circunstância.

O comunicado conjunto das três organizações coincide com a declaração dada hoje à Agência Efe pelo especialista em segurança alimentar da OMS, Peter Ben Embarek, o qual assegura que o consumo de carne de porco e de seus derivados não expõe, sob nenhuma circunstância, o consumidor a contrair o vírus da gripe. EFE vh/bba

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