OMS diz que contaminação de leite na China é extremamente grave

Genebra, 26 set (EFE) - A contaminação do leite infantil na China é um dos maiores incidentes ligados à segurança alimentar nos últimos anos, admitiu hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS). O especialista em segurança sanitária da entidade, Peter Ben Embarek, afirmou que esta situação destruiu a confiança dos consumidores na China, que reagiram buscando alternativas ao leite em pó infantil para alimentar seus filhos. Mas essas alternativas, às vezes, podem ser mais inseguras. É preciso ter cuidado com isto porque não há alternativa à amamentação ou ao leite em pó para os bebês, disse.

EFE |

Após ressaltar que a amamentação "é a forma ideal de dar aos bebês os nutrientes necessários para o crescimento e o desenvolvimento", Embarek afirmou que a substituição do leite em pó por produtos como "leite condensado, fresco ou misturado com mel é inadequado".

O consumo de leite adulterado com melamina na China provocou a morte de quatro crianças e a hospitalização de aproximadamente 12 mil, e mais de 53 mil receberam atendimento médico.

No entanto, neste último grupo de crianças, nem todas estavam necessariamente intoxicadas e podem ter chegado ao hospital com sintomas semelhantes, mas que tinham uma causa "totalmente diferente", esclareceu em entrevista coletiva em Genebra o especialista.

Embarek disse que a intoxicação de bebês com o leite estava ocorrendo "há meses" e que as autoridades locais haviam detectado o problema e adotado medidas que, em vista de como se desenvolveram os fatos, foram insuficientes.

O especialista ressaltou que os fatos reais, assim como a responsabilidade, serão conhecidos quando a investigação realizada pelo Governo chinês chegar ao auge.

No entanto, o representante da OMS reconheceu que esta situação "mostra claramente que o sistema (de vigilância sanitária na China) não está agindo de forma eficiente".

Os mecanismos de vigilância no sistema sanitário chinês foram questionados nos últimos anos pela comunidade internacional devido ao fato de terem surgido na China doenças que depois chegaram a dezenas de países, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) e, mais recentemente, a gripe aviária.

Embarek disse que a indústria alimentícia "tem a responsabilidade principal de que sua produção seja segura", enquanto as autoridades nacionais precisam "fixar as normas dentro das quais a indústria possa operar e depois vigiar e garantir que todos as cumpram".

Perguntado sobre se os pais chineses podem estar seguros de que todo o leite vendido em lojas é seguro, assegurou que "as fontes de contaminação foram retiradas do mercado", por isso "não deverão aparecer muitos outros casos" de crianças afetadas.

No entanto, ainda se acredita que possa aumentar o número de crianças afetadas que tenham bebido o leite contaminado semanas ou meses atrás.

O especialista insistiu em que agora a grande tarefa que as autoridades chinesas têm pela frente é devolver a confiança ao público, garantindo que os leites à venda sejam seguros.

Embarek ressaltou que há 173 companhias produtoras de leite em pó infantil na China, das quais 105 foram investigadas em uma primeira etapa.

Delas, descobriu-se que 22 - que, ao mesmo tempo, tinham 65 marcas - produziam leite contaminado com melamina. EFE is/fh/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG