OMS diz que ajuda se acumula no aeroporto do Haiti por falta de coordenação

Washington, 19 jan (EFE).- A ajuda se acumula no aeroporto do Haiti sem que se consiga distribuí-la ou armazená-la pela falta de coordenação entre os países e agências doadoras, segundo denunciou hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS).

EFE |

"Temos que nos coordenar melhor. Isto é um desafio. Sabemos que ocorreram tensões" entre diversos países, disse em entrevista coletiva Jon Andrus, subdiretor da Organização Pan-americana da Saúde (OPS), a filial na América da OMS.

Andrus indicou que alguns doadores simplesmente descarregam a ajuda de seus aviões no aeroporto, sem ditar regras para distribuição ou armazenamento.

Além disso, algumas equipes estão chegando "sem apoio logístico suficiente", por isso Andrus pediu que só voluntários auto-suficientes aterrissem em Porto Príncipe.

Apesar dos problemas no aeroporto, a situação melhorou com relação aos dias anteriores e a ajuda começou a chegar aos hospitais, explicou.

Algumas ONGs estão indo ao aeroporto buscar materiais para distribuir à população.

Andrus disse que outro dos problemas enfrentados pela OMS é onde instalar os hospitais de campanha, já que quase não há espaço livre em Porto Príncipe.

Os lugares que não estão cheios de escombros estão ocupados pelos sobreviventes, que dormem ao ar livre, indicou.

De acordo com a OMS, a aglomeração de gente representa o risco de epidemias respiratórias, e a escassez de água e de instalações sanitárias poderia gerar surtos de cólera, disenteria e diarréia.

Pelos dados do Governo haitiano citados pela Comissão Europeia, 200 mil pessoas morreram por causa do terremoto, das quais 70 mil já enterradas, muitas delas em valas comuns.

Andrus disse que a OMS insistiu para que não fossem realizados sepultamentos coletivos, porque os corpos ainda não são identificados.

"Muitas famílias não sabem se um familiar está vivo ou morto", disse Andrus, quem afirmou que a organização está triste pela forma "não apropriada" como os mortos foram sepultados.

O terremoto de 7 graus na escala Richter ocorreu às 19h53 (Brasília) da terça-feira passada e teve epicentro a 15 quilômetros da capital haitiana, Porto Príncipe.

Conforme o Exército brasileiro, pelo menos 17 militares do país que participavam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.

A médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti, também morreram no tremor. EFE cma/dm

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