Marta Hurtado. Genebra, 29 nov (EFE).- A diretora geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, afirmou hoje que o nível de alerta pandêmico da gripe A deve ser mantido e que ainda é cedo para reduzi-lo.

"É prematuro anunciar o fim da pandemia de gripe causada pelo vírus H1N1, não seria prudente nem apropriado (diminuir o nível de alerta). Devemos continuar com a avaliação nos próximos seis a 12 meses", afirmou Chan em entrevista coletiva.

A diretora geral da OMS fez uma ferrenha defesa da declaração de pandemia pela gripe A, em 11 de junho, e afirmou que todos os indicadores assim demonstravam na época e que nenhum país se opôs à época.

"Não há nenhuma alegação que se baseie em fatos reais que possa concluir que isto não é uma pandemia. O vírus se propagou de forma sustentada em todas as regiões do mundo, afetou 205 países, deixando milhões de pessoas infectadas. E somos muito felizes porque a maioria deles teve apenas sintomas leves", alegou Chan.

"Devemos lembrar que houve grupos de risco como as mulheres grávidas, os menores de dois anos, as pessoas com doenças preexistentes que sofreram o vírus de forma mais severa. Não é justo para os que perderam os familiares e amigos dizer agora que esta não é uma pandemia".

Outro dos argumentos de Chan para defender a manutenção do nível de alerta é a eventual mutação do vírus, dado que este, disse, "é altamente imprevisível".

"Ninguém quer que haja uma mutação do vírus, porque há muito em jogo, mas também ninguém sabe o que pode ocorrer", apontou.

A diretora geral da OMS rejeitou as acusações sobre a conivência da instituição que dirige com as companhias farmacêuticas para vender as vacinas contra a gripe A.

"Todas as acusações são infundadas, são rumores sem evidências, nós trabalhamos para proteger às pessoas".

Consultada sobre se ela já se vacinou, Chan afirmou que ainda não o fez, mas que pensa, sim, em se vacinar.

Chan comemorou a moderação do vírus, em comparação com o altamente mortal H5N1, o da chamada gripe aviária, que matou 60% dos infectados.

De fato, a diretora geral assinalou que ainda existem assuntos por resolver e melhorias a fazer para o órgão estar preparado para enfrentar uma pandemia como seria eventualmente a do H5N1.

"Melhoramos bastante nos últimos cinco anos em termos de preparação, mas ainda há muito por fazer para estarmos totalmente preparados para enfrentar uma pandemia viral, porque lembremos que esta é considerada moderada", assinalou.

"Que a pandemia de gripe tenha sido moderada é a melhor notícia da década", ressaltou Chan.

Até o momento, o vírus da gripe H1N1 causou mais de 500 mil infecções e mais de 11 mil mortes.

Em relação a outros temas de saúde, Chan elogiou o trabalho da OMS na última década, e as conquistas alcançadas no mundo, "isso porque os Estados-membros se comprometeram com a saúde pública".

Chan assinalou que entre 2000 e 2008 a taxa de mortalidade do sarampo caiu em 80%, e que atualmente existem 4 milhões de pessoas infectadas com o vírus da aids morando em países em desenvolvimento em tratamento antiretroviral, "algo impensável há dez anos".

"Há razões para estarmos orgulhosos", afirmou, embora tenha lamentado que em áreas como a maternidade infantil ainda seja necessário muito para avançar.

A crise econômica mundial obrigou à OMS a cortar seu orçamento para o biênio 2010-2011 em 10%. EFE mh/dm

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