OMS desaconselha restrições a viagens por causa da gripe suína

Por Stephanie Nebehay e Laura MacInnis GENEBRA (Reuters) - A Organização Mundial da Saúde não vai recomendar restrições a viagens e fechamento de fronteiras por causa da gripe suína, disse um porta-voz na terça-feira.

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As pessoas contaminadas podem não apresentar sintomas quando chegam aos aeroportos ou fronteiras, razão pela qual restrições como as impostas na epidemia de Sars seriam ineficazes desta vez, disse o porta-voz Gregory Hartl.

"Controles fronteiriços não funcionam. Revistas não funcionam", disse ele em entrevista coletiva, lembrando que as restrições acabam causando prejuízos econômicos, sem benefícios à saúde pública.

Apesar disso, a OMS continua aconselhando as pessoas a pensarem duas vezes antes de viajarem de e para áreas afetadas. Sugere ainda que evitem multidões e o transporte público quando houver sintomas da gripe.

"Certamente, se você sentir que está doente não deve viajar em hipótese nenhuma para qualquer lugar", disse Hartl.

O vírus H1N1 já matou até 149 pessoas no México. Ele também foi registrado -- com sintomas menos malignos -- em outros países, como Estados Unidos, Canadá, Espanha, Grã-Bretanha, Israel e Nova Zelândia.

"Não entendemos por que a doença tem sido mais grave no México", disse Hartl.

Uma possibilidade é que as primeiras vítimas, não tendo reconhecido que se tratava de uma nova gripe, só tenham recebido o tratamento específico quando era tarde demais. Pode ser também que a contaminação por outras doenças tenha reduzido sua imunidade a esse vírus.

Todo o contágio até agora parece ter acontecido entre humanos, e não de animais para humanos, segundo a OMS. "Não há perigo em comer porco", disse Hartl. "Se o porco for bem cozido, se toda carne for bem cozida, mata todo o vírus."

A OMS ainda desconhece a origem da epidemia. "Ainda estamos procurando a origem deste evento. Não sabemos onde é, não sabemos onde ocorreu a infecção inicial."

O comitê de emergência da OMS não irá se reunir na terça-feira para rever o alerta de pandemia, que foi elevado na noite de segunda-feira de 3 para 4 (numa escala de 1 a 6).

"Se o vírus for um vírus eficiente, se ele se espalhar facilmente de humano para humano, ele provavelmente vai continuar a se espalhar", disse Hartl. "Ainda estamos na fase 4 porque não temos evidências incontestáveis de que se trata de um difusor eficiente."

(Reportagem adicional de Michael Kahn, em Londres)

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