OMS deixa de dar boletins da gripe suína por sua velocidade de propagação

O vírus da gripe suína está se propagando no nível internacional a uma velocidade sem precedentes, afirmou nesta sexta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS), que decidiu deixar de proporcionar balanços sobre a evolução da pandemia no mundo.

AFP |

"Nas pandemias anteriores, os vírus gripais precisaram de mais de seis meses para se propagar tanto como aconteceu com o novo vírus A (H1N1) em menos de seis semanas", afirma, em um comunicado, a organização com sede em Genebra.

No entanto, a OMS insistiu no "caráter benigno dos sintomas para a grande maioria dos pacientes que, em geral, se restabelecem, inclusive sem tratamento médico, uma semana depois da aparição dos primeiros sintomas".

A organização acrescentou que a contagem dos casos individuais já não é essencial (nos países mais afetados) para seguir o nível ou a natureza do risco causado pelo vírus pandêmico ou para dar indicações sobre a melhor resposta para a doença.

"Em alguns países, a análise sistemática dos casos suspeitos mobiliza a maior parte das capacidades dos laboratórios, o que deixa pouca margem para o acompanhamento e as pesquisas fatos excepcionais", destacou a OMS para justificar sua decisão de não proporcionar mais estatísticas mundiais.

A OMS pediu aos países afetados que sigam "de perto os fatos incomuns", como, por exemplo, as infecções graves ou mortais em grupos de população, os sintomas pouco freqüentes que possam aponta um agravamento da periculosidade do vírus. A OMS se limitará a partir de agora a informar sobre os novos países afetados.

"A OMS continuará pedindo a esses países que comuniquen os primeiros casos confirmados e, à medida do possível, dêem a cada semana cifras e descrições epidemiológicas dos novos casos", segundo a nota publicada.

O grande número de contágios em tão pouco tempo "se deve a uma combinação de fatores", explicou à AFP um porta-voz da OMS, Gregory Hartl.

"O vírus se propaga muito eficazmente de homem para homem sem que haja sintomas em um portador da doença. Além disso, como destacou a organização, depois do aparecimento da doença no fim de abril, atualmente os virus se expandem a uma velocidade dos dos voos transatlânticos nos quais viajam milhares de pessoas´´.

Indagado sobre a maneira de pode se determinar as políticas de vacinação na falta de estatísticas mundiais, Hartl recordou que, segundo a OMS "o vírus já não pode ser detido e que todos os necessitarão de vacina. Virtualmente, os 6,8 bilhões de habitantes do planeta poderão ser infectados".

Enquanto isso, os números da doença continuam alarmando através do mundo.

Na véspera, a Austrália alertou que a gripe suína poder causar até 6.000 mortos no país se não for freada a expansão da pandemia.

Já os ministros da Saúde do Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai se reuniram na quarta-feira, em Buenos Aires, para discutir a pandemia que está atingindo com força em pleno inverno austral.

Os países do Cone Sul verificam uma tendência de queda nos casos de gripe suína, mas é preciso ficar atento para uma possível segunda onda da epidemia.

O grupo decidiu compartilhar informações e diagnósticos sobre a situação, além de monitorar a distribuição de antivirais na região, entre outras medidas.

A Europa também se prepara para enfrentar uma possível epidemia assim que terminar o verão boreal.

Segundo a OMS, a gripe suína já infectou 94.500 pessoas em todo o mundo, com quase 500 óbitos.

pac/cn

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