OMS define níveis de melamina em alimentos líquidos e sólidos

Decisão foi motivada por intoxicação e mortes na China, em 2008, por leite contaminado com o composto

EFE |

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu hoje os limites de melamina em alimentos líquidos e sólidos, entre 1 e 2,5 miligramas por quilo, respectivamente, a fim de combater os efeitos tóxicos deste composto de resina.

No fim de 2008, leite contaminado com melamina, composto que é usado na fabricação de plásticos, provocou a morte na China de seis crianças e intoxicou ao redor de 300 mil, catástrofe que, segundo Jorgen Schlundt, diretor do departamento de Segurança Alimentícia da OMS, "acelerou este acordo".

A decisão foi tomada hoje por unanimidade entre os analistas que - representando os 182 países signatários - participam até sexta-feira em Genebra da sessão anual do Comitê do Codex Alimentarius, corpo criado em 1963 pela Organização para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e a OMS para desenvolver regulamentação para o setor de alimentação.

No caso da China, a companhia láctea Mengniu, uma das principais envolvidas no escândalo do leite contaminado com melamina, teve um aumento anualizado de seus lucros de 14% seis meses depois das intoxicações. A diretora de Nutrição e Consumo de FAO, Ezzeddine Boutrif, assegurou que o corpo humano "pode tolerar limites de melamina abaixo do estabelecido, mas nunca superiores".

"Agora cabe aos países colocar em prática estes limites".

O comitê Codex se centra este ano, além da melamina, nas medidas higiênicas para manter frescos os vegetais. Em relação a este último tema, Schlundt destacou que as microbacterias "às vezes indefectíveis nos alimentos", são as que mais põem em risco a saúde humana.

"Não sabemos com exatidão o número de mortes provocadas por alimentos em mau estado, mas estimamos que um terço da população mundial sofre por esta razão", disse.

Com relação aos vegetais, Schlundt comentou que o Codex estabeleceu um manual com as normas básicas para mantê-los frescos, guia que faz especial insistência no "uso de água não contaminada".

"Estas normas serão traduzidas para mais 27 idiomas para que os países possam aplicá-las", embora tenha esclarecido que a utilização da água em mau estado para lavar os vegetais "não é algo exclusivo de países em vias de desenvolvimento". Asseverou que se trata "de um acordo muito importante para evitar intoxicações a grande escala".

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