OMS declara gripe 1ª pandemia do século, mas descarta gravidade da doença

Genebra, 11 jun (EFE).- A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou hoje a primeira pandemia do século XXI pelo surto do vírus AH1N1 detectado no final de abril e que já infectou 28 mil pessoas em 74 países, deixando 141 mortos.

EFE |

A diretora-geral da OMS, Margaret Chan, procurou deixar claro, no entanto, que o alerta não foi elevado ao nível máximo (6) porque vá haver um salto brusco na gravidade da epidemia ou na mortalidade dos afetados. Ela esclareceu que se trata de "uma pandemia moderada".

Chan adotou a decisão de declarar a pandemia após ouvir hoje o comitê de especialistas da organização e de falar na quarta-feira com os Governos dos países mais afetados, onde foi comprovado que houve transmissões na comunidade.

Após as consultas de hoje, a OMS enviou cartas com o anúncio da decisão a todos os países-membros, e foi o Governo sueco o primeiro a tornar pública a medida.

"Pandemia significa extensão (do vírus). Mas um maior nível de alerta pandêmico não significa necessariamente que vamos ver um vírus mais perigoso ou que muita gente vá cair gravemente doente", disse Chan em entrevista coletiva em Genebra.

Em seguida, explicou que "moderada" é a qualificação "global" da pandemia, mas que cada Governo terá que dar sua resposta de saúde pública conforme a situação concreta do país.

Nessa linha, disse que é preciso levar em conta a vulnerabilidade da população em um país específico, assim como seu sistema de saúde.

A diretora-geral da OMS reconheceu que o fato de a maioria dos casos da gripe suína no mundo serem leves pode levar muita gente a se perguntar por que houve a declaração de uma pandemia, e, por isso, advertiu que não se deve baixar a guarda.

Chan ressaltou que se decidiu declarar a fase 6 após receber do comitê de especialistas toda a informação e provas de que existe uma transmissão estável do vírus em comunidades de alguns países fora da primeira região afetada, a América do Norte, e também pela extensão do AH1N1 ao Hemisfério Sul.

"Para nós o mais preocupante é que não sabemos como o vírus se comportará nas condições do mundo em desenvolvimento, onde os sistemas de alarme e de atendimento sanitário sofrem graves deficiências em comparação", acrescentou.

Porém, afirmou que "é prudente prever que o panorama se obscurecerá com os recursos e o atendimento limitado, assim como a elevada prevalência de doenças crônicas" nos países de poucos recursos.

Em relação à produção de vacinas contra esta variante gripal, Chan ressaltou que pode-se "dizer que agora há igualdade, porque nenhum país atualmente tem a vacina, que demorará de quatro a seis meses para ser produzida".

"Antes de setembro, nenhum país terá a vacina. Inclusive em setembro a provisão será limitada e teremos que ver quais países a receberão e quais grupos dentro de um país", disse.

Apesar de ter esclarecido que "todos os fabricantes de vacinas receberam o material completo para começar a produção", disse que "alguns deles já começaram e outros começarão dentro de uma ou duas semanas".

Chan reconheceu que, com a elevação ao máximo do nível de alerta, "aumenta a pressão" para a doação de remédios aos países em desenvolvimento.

O mundo, disse, está nos primeiros dias da pandemia de gripe, e o vírus se propaga sob uma extrema vigilância e observado em tempo real desde seu início.

No entanto, argumentou que "o panorama inicial pode mudar".

"A gravidade moderada que observamos nestes primeiros dias pode variar por diversos fatores e de país a país, mas não podemos prever um aumento espetacular de casos mortais", afirmou.

O vírus infecta majoritariamente os jovens, com a maioria de casos vistos em pessoas de menos de 25 anos e com cerca de 2% de ocorrências graves, que derivaram rapidamente em pneumonia.

Em relação ao México, o país onde começou a pandemia da gripe, advertiu que deve estar preparado para uma segunda onda de casos, mesmo que a epidemia pareça controlada.

"O vírus é imprevisível e se o México superar a primeira onda, deve igualmente se manter alerta, porque o vírus pode voltar em uma segunda onda", afirmou.

Chan ressaltou que este é um momento inédito na história pois, pela primeira vez, um vírus pandêmico convive com outro, o da gripe aviária, cujo patamar de alerta se encontra no nível 3. EFE vh/db

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