OMS condena uso da melamina em alimentos ou no leite

Genebra, 23 set (EFE).- A Organização Mundial da Saúde (OMS) deixou hoje muito claro que a melamina não tem nada o que fazer nos alimentos ou produtos lácteos, e muito menos no leite infantil, diante dos milhares de casos de crianças intoxicadas na China por consumir leite em pó contaminado com essa substância.

EFE |

A porta-voz da OMS, Fadela Chaib, disse que os adultos têm uma dieta variada, o que não é o caso das crianças pequenas, cuja alimentação se limita geralmente ao leite, o que pode explicar a elevada concentração de melamina em seus organismos.

Esta substância permite aumentar de maneira fictícia o nível de proteína no leite ao qual foi acrescentada água para aumentar o volume e que, como resultado disso, fez reduzir a concentração de proteína.

"A adição da melamina nos alimentos não é aprovada pela OMS, pela FAO (Fundo da ONU para a Agricultura e a Alimentação) nem pelo Codex Alimentarius", principal órgão internacional que fixa os padrões de qualidade dos alimentos, disse Chaib.

Também não é aprovada por "nenhuma autoridade nacional", acrescentou.

A multinacional Nestlé, com sede na Suíça, afirmou ontem que a melamina "é encontrada através da cadeia alimentar mundial em rastros minúsculos, que não representam nenhum risco para a saúde dos consumidores".

No atual escândalo de intoxicação infantil, a melamina não foi encontrada só no leite em pó, mas também "em uma marca de sobremesa refrigerada à base de iogurte e em uma marca de bebida de café em lata" na China, revelou a OMS.

"Todos estes produtos foram muito provavelmente manufaturados utilizando ingredientes feitos a partir do leite contaminado", disse.

Quatro crianças morreram intoxicadas na China, 12.900 estão hospitalizadas e 40 mil sob vigilância médica, disse a porta-voz da OMS, após reconhecer que ainda "desconhecemos a magnitude do problema".

"Esperamos as respostas da China", disse Chaib, acrescentando que cada vez mais famílias da zona rural na China estão tomando conhecimento do problema e levando os filhos ao médico para ver se consumiram melamina. EFE is/an

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