OMS busca acordo sobre compartilhamento de amostras virais

Por Laura MacInnis GENEBRA (Reuters) - Diante da ameaça iminente de uma pandemia de gripe, os governos estão progredindo na busca por um acordo sobre como compartilhar medicamentos, vacinas e as amostras virais necessárias para sua produção, disse na quinta-feira a diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan.

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Chan disse a autoridades durante a assembleia anual da OMS que a colaboração vista entre governos, laboratórios farmacêuticos e fabricantes de vacina desde o surgimento da epidemia da gripe H1N1 traz esperanças de conciliação entre países ricos e pobres.

"Os fatos das últimas quatro semanas, com o H1N1, a pandemia iminente, tudo isso nos dá uma oportunidade. Vimos algo que nunca vimos antes: o compromisso total dos países afetados com a transparência, a notificação rápida, o compartilhamento de informação, de sequências, de vírus, de kits de diagnóstico, de equipamentos de laboratório, e a lista continua", disse.

Brasil e México lideraram no início da semana, no encontro da OMS, a pressão para que as inovações tecnológicas que permitam aprimorar a detecção do vírus H1N1 e o desenvolvimento de medicamentos, vacinas e insumos para diagnóstico sejam tratados como bens públicos, segundo o Ministério da Saúde.

Os 193 países da OMS negociam desde 2007 questões complicadas, relativas à sua preparação contra pandemias. Inicialmente, a preocupação era com o vírus H5N1 (gripe aviária), que no entanto não se espalha facilmente entre as pessoas.

O principal entrave nas discussões é como e quando as amostras de vírus deveriam ser compartilhadas com os laboratórios farmacêuticos, que precisam disso para desenvolver vacinas.

A Indonésia e outros países em desenvolvimento exigem garantias de que as vacinas desenvolvidas com tais amostras serão disponibilizadas a preços acessíveis e em quantidades suficientes para proteger os países mais pobres.

Chan, que como secretária de Saúde de Hong Kong enfrentou a epidemia da síndrome respiratória aguda grave (Sars, na sigla em inglês), disse que parece ser hora de concluir as negociações que se arrastam há dois anos e meio.

Na quinta-feira, ela recebeu amplo apoio para uma proposta para que ela "facilite um processo para finalizar os elementos restantes, inclusive o acordo-padrão para a transferência de material". O resultado seria apresentado até janeiro ao conselho diretor da OMS.

"Achamos essa uma excelente forma de avançar". disse o representante dos EUA na reunião de Genebra.

Brasil, Tailândia, Índia, Canadá e Austrália, entre outros, também manifestaram apoio, mas a própria Chan disse que o trabalho pode não ser tão fácil.

O vírus H1N1, que mistura elementos de gripes suínas, humanas e aviárias, já contaminou mais de 11 mil pessoas em pelo menos 40 países, deixando 85 mortos, especialmente no México.

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