OMS aumenta nível de alerta para gripe suína

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aumentou nesta segunda-feira o nível de alerta para a gripe suína de grau 3 para 4 - em uma escala que vai até 6 - o que significa que o órgão considera que o risco de uma pandemia é ainda maior agora. O diretor-geral-assistente da OMS, Keiji Fukuda, afirmou que o aumento no nível de alerta sinaliza um passo significativo em direção de uma pandemia de gripe, mas ressaltou que ainda não atingimos este ponto.

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"Em outras palavras, neste momento achamos que demos um passo nesta direção (de uma pandemia), mas uma pandemia não é considerada inevitável", afirmou Fukuda.

A decisão da OMS de aumentar o nível de alerta para 4 foi tomada após uma reunião de emergência de especialistas, que foi antecipada em um dia por causa de preocupações com o aumento do surto.

O nível de alerta grau 4 sinaliza que o vírus está mostrando a capacidade de ser transmitido entre humanos, com a possibilidade de causar surtos em níveis comunitários.

Segundo Fukuda, o vírus se alastrou muito, o que tornou a contenção do surto uma opção inviável. De acordo com ele, os países devem se concentrar em medidas para proteger suas populações.

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O diretor-assistente da OMS ainda afirmou que os especialistas não recomendam o fechamento de fronteiras ou restrições a viagens.

"Com o vírus tão disseminado (...) o fechamento de fronteiras ou restrições a viagens teria poucos efeitos na interrupção do movimento do vírus", afirmou.

Os primeiros lotes de vacina contra a gripe suína podem estar prontos em quatro ou seis meses, mas, de acordo com Fukuda, levará mais alguns meses para que sejam produzidas grandes quantidades da vacina.

Especialistas em saúde afirmam que o vírus da gripe suína tem a mesma origem de vírus que causam surtos periódicos em humanos. Mas eles afirmam que a nova versão do vírus que foi detectada contém material genético de vírus que normalmente afetam porcos e pássaros.

Mortes no México
Também nesta segunda-feira, o ministro da Saúde do México, José Angél Córdova, afirmou que o número de mortos com suspeita da doença no país aumentou de 100 para 149. Destes, no entanto, apenas 20 casos tiveram relação confirmada com a gripe.

Todos os que morreram, segundo Córdova, tinham entre 20 e 50 anos de idade.

Outras pandemias, segundo especialistas, também se caracterizaram por infectarem adultos jovens e saudáveis.

"Estamos em um momento decisivo da crise, o número (de mortos) deve continuar aumentando", disse Córdova em uma coletiva de imprensa.

Córdova afirmou que cerca de 2 mil pessoas foram hospitalizadas desde que o primeiro caso de gripe suína foi registrado, em 13 de abril. Metade delas, no entanto, já teria sido autorizada a voltar para casa.

Escolas em todo o México devem permanecer fechadas até o dia 6 de maio, na medida em que o país tenta combater o surto.

Enquanto Córdova concedia a entrevista coletiva na Cidade do México, onde o surto está concentrado, a capital do país foi atingida por um terremoto de 5,6 graus na Escala Richter. Não houve registros de mortos ou feridos, no entanto.

Outros países
Em quase todos os casos registrados de gripe suína fora do México, os infectados ficaram apenas levemente doentes e conseguiram se recuperar completamente.

Nos Estados Unidos, mais 20 casos foram confirmados no Estado de Nova York. Casos também foram registrados nos Estados de Ohio, Kansas, Texas e Califórnia. O total de casos confirmados no país já chega a 40.

Apenas uma pessoa teria sido hospitalizada por ter contraído o vírus nos EUA, mas já teria se recuperado.

No Canadá, seis casos foram registrados em pontos diferentes do país.

A gripe suína chegou oficialmente chegou à Europa nesta segunda-feira, quando testes confirmaram que um jovem na Espanha e duas pessoas na Escócia estavam infectados com o vírus. Todos eles haviam visitado o México recentemente.

Os infectados na Europa, segundo as últimas informações, estariam se recuperando bem.

Viagens
Também nesta segunda-feira, o Departamento de Estado dos EUA divulgou um comunicado onde recomenda que os cidadãos americanos evitem viagens "que não sejam essenciais" ao México.

"O Departamento de Estado alerta os cidadãos americanos sobre os riscos para a saúde de se viajar para o México no momento, por causa de um surto do vírus H1N1, a "gripe suína". O Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês) recomenda que sejam evitadas todas as viagens não essenciais ao México no momento", diz o comunicado.

O Ministério das Relações Exteriores da Grã-Bretanha também pediu que os cidadãos do país evitem viajar para o México.

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