Londres, 26 nov (EFE).- Os testes voluntários de aids, combinados com um tratamento anti-retroviral imediato caso o diagnóstico seja positivo, reduziram nos últimos dez anos de 20 a 1 por mil os casos dessa doença, nos locais onde exista uma epidemia generalizada.

Esse é o resultado de um estudo do departamento da aids da Organização Mundial de Saúde (OMS), publicado pela revista britânica "The Lancet" na internet.

Aproximadamente três milhões de pessoas no mundo todo tinham recebido esse tratamento anti-retroviral (TAR) no final de 2007, mas 6,7 milhões seguiam necessitando disso e outras 2,7 milhões foram infectadas ao longo desse ano.

O médico Reuben Granich, do citado departamento da OMS, e seus colaboradores utilizaram um modelo matemático para estudar o efeito que teria na propagação da epidemia submeter ao teste da aids todas as pessoas em uma determinada comunidade (de mais de 15 anos) e aplicar o tratamento anti-retroviral imediato.

O estudo, feito na África do Sul, permitiu ser descoberto que a estratégia em questão aceleraria enormemente a transição da atual fase endêmica, na qual a maioria dos adultos não recebe esse tipo de tratamento, para outra de eliminação, na qual a maioria dos adultos se submete ao mesmo em um prazo máximo de cinco anos.

Fora isso, a estratégia reduziria os casos do vírus de imunodeficiência humana a um por cada mil pessoas depois de dez anos de sua plena colocação em prática, o que representa uma queda de 95%.

A transmissão poderia se reduzir a níveis muito baixos e a epidemia iria decaindo até seu total desaparecimento conforme as pessoas submetidas a esse tratamento envelhecessem e fossem morrendo.

Em artigo que acompanha o estudo, um de seus co-autores, o médico Kevin De Cock, da OMS, diz que o modelo que propõem não representa a política oficial, mas é simplesmente uma chamada à pesquisa e ao debate. EFE jr/rr

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