OMS alerta sobre forma grave da gripe suína

WASHINGTON (Reuters) - Os médicos estão relatando uma forma severa de gripe suína que vai direto aos pulmões, causando doença grave em jovens até então saudáveis e exigindo tratamento hospitalar de alto custo, disse a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta sexta-feira. Alguns países têm relatado que até 15 por cento dos pacientes infectados pelo novo vírus pandêmico H1N1 precisam de cuidado hospitalar, pressionando ainda mais os já sobrecarregados sistemas de saúde, afirmou a OMS em um relatório de atualização sobre a pandemia.

Reuters |

"Durante o inverno no Hemisfério Sul, diversos países observaram a necessidade de tratamento intensivo como o maior ônus aos serviços de saúde," disse.

"Medidas preparatórias precisam antecipar essa demanda crescente das unidades de cuidado intensivo, que podem ser sobrecarregadas por um aumento repentino no número de casos graves."

Anteriormente a OMS relatou que o H1N1 atingiu níveis epidêmicos no Japão, sinalizando um início precoce do que pode ser uma longa temporada da gripe este ano, e que também estava piorando em regiões tropicais.

"Talvez o mais significativo é que os médicos de todo o mundo estão relatando uma forma muito grave de doença, também em jovens e em pessoas até então saudáveis, o que se vê raramente durante as infecções de influenza sazonal," disse a

OMS.

"Nesses pacientes, o vírus infecta diretamente o pulmão, causando insuficiência respiratória grave. Essas vidas dependem de um cuidado altamente especializado nas unidades de tratamento intensivo, em geral com permanências longas e caras."

MINORIAS EM RISCO

As minorias e as populações indígenas também podem apresentar um risco maior de ficar gravemente doentes com o

H1N1.

"Em alguns estudos, o risco desses grupos é de quatro a cinco vezes maior do que na população geral," disse a OMS.

"Embora os motivos não sejam totalmente conhecidos, as explicações possíveis incluem um padrão mais baixo de vida e um estado geral de saúde inferior, incluindo a alta prevalência de condições como asma, diabete e hipertensão."

A OMS disse estar aconselhando os países do Hemisfério Norte a se prepararem para uma segunda onda de disseminação pandêmica. "Os países com climas tropicais, onde o vírus pandêmico chegou depois do que em outros locais, também precisam se preparar para um número crescente de casos," afirmou.

Todos os anos, a gripe sazonal infecta entre 5 por cento e 20 por cento de uma determinada população e mata entre 250 mil e 500 mil pessoas no mundo. Como praticamente ninguém tem imunidade ao novo vírus H1N1, os especialistas acreditam que ele infectará mais pessoas que o habitual, até um terço da população.

Ele também afeta de forma desproporcional as pessoas mais jovens, diferentemente da gripe sazonal,que atinge principalmente os mais idosos, e portanto pode causar mais doenças graves e mortes entre adultos jovens e crianças do que a gripe sazonal.

"Os dados continuam a mostrar que determinadas condições médicas aumentam o risco de doença grave e fatal. Isso inclui doença respiratória, em especial a asma, doença cardiovascular, diabete e imunossupressão," afirmou a OMS.

"Ao estimar o impacto da pandemia à medida que mais pessoas se infectam, as autoridades sanitárias precisam estar cientes de que muitas dessas condições predisponentes tornaram-se mais disseminadas nas últimas décadas, aumentando, portanto, o grupo de pessoas vulneráveis."

A OMS estima que mais de 230 milhões de pessoas no mundo têm asma e mais de 220 milhões tem diabete. A obesidade também pode agravar o risco de infecção severa, afirmou a OMS.

A boa notícia: as pessoas infectadas pelo vírus da Aids não parecem correr especial risco de contrair a H1N1, afirmou a

OMS.

(Reportagem de Maggie Fox)

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