OMS alerta que o mundo não deve baixar a guarda contra a gripe suína

A diretora geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu nesta segunda-feira aos países que não baixem a guarda contra a gripe suína, que infectou quase 1.000 pessoas em todo o planeta, apesar das análises demonstrarem que o vírus parece menos letal do que se temia e do México, epicentro da doença, afirmar que está superando a situação de emergência.

AFP |

"No momento estamos em uma fase muito inicial da nova doença e nossa obrigação é manter a atenção, não perdê-la de vista e não deixar que nada escape", advertiu Margaret Chan, diretora da OMS, em uma entrevista ao jornal espanhol El País.

"Neste momento, o vírus está sendo leve na maioria dos países, mas ainda não vimos todo o espectro da doença".

"A situação está evoluindo e o vírus está mudando. Os vírus da gripe são muito imprevisíveis, muito trapaceiros; não podemos confiar", alertou.

Em outra entrevista, ao jornal britânico Financial Times, Margaret Chan pede atenção aos países do hemisfério sul.

"Nos países do hemisfério sul está começando o inverno e esta é uma estação na qual são registrados picos de gripe sazonal. E temos que ser muito cuidadosos. Ninguém pode prever nem dizer agora o que vai acontecer quando os países do sul tiverem picos de gripe, e esta nova chegar, e isto vai ocorrer, sem dúvidas".

A OMS confirmou nesta segunda-feira a existência de 985 casos de gripe suína em 20 países, incluindo 590 casos no México, com 25 mortes, e 226 nos Estados Unidos, um deles fatal.

Os outros países com casos confirmados, nenhum deles fatal, no balanço oficial da OMS são Canadá (85), Espanha (40), Grã-Bretanha (15), Alemanha (8), Nova Zelândia (4), Israel (3), França (2), El Salvador (2), Colômbia, Áustria, Holanda, Suíça, China (Hong Kong), Dinamarca, Coreia do Sul, Costa Rica, Irlanda e Itália.

Os dados da OMS diferem com frequência dos números divulgados pelos países, já que a organização realizada os próprios controles de verificação.

A OMS elevou recentemente o nível de alerta para 5, em uma escala que vai até 6, pelo risco de que a gripe A(H1N1) se transforme em pandemia.

"Mas o nível 6 não quer dizer, em absoluto, que nos aproximamos do fim do mundo. É importante esclarecer isto, porque em caso contrário, quando anunciarmos o nível 6, causaremos um pânico desnecessário", declarou Margaret Chan.

Ao mesmo tempo, no México, país mais afetado pela doença e cuja capital está paralisada há mais de uma semana, o presidente Felipe Calderón afirmou na noite de domingo que o país está em condições de "superar razoavelmente" a epidemia de gripe suína e que grande parte das actividades suspensas poderão ser retomadas na quarta-feira.

No entanto, pediu a manutenção das medidas de prevenção para evitar o contágio.

O ministro mexicano da Saúde, José Angel Córdova, declarou no domingo que a epidemia está em fase de declínio, já que o último caso fatal foi registrado no dia 29 de abril.

O México enfrenta ainda uma crise diplomática com a China, depois que o país asiático colocou em quarentena 70 cidadãos mexicanos, apesar de nenhum deles apresentar sintomas de gripe suína.

O primeiro caso de contaminação pelo vírus A(H1N1) na Ásia foi o de um mexicano que chegou a Hong Kong via Xangai.

A OMS manifestou apoio às medidas adotadas por Pequim.

O governo do México, que criticou as medidas adotadas pela China com seus cidadãos e a suspensão dos voos entre o país e Xangai, pretende enviar um avião a Pequim para repatriar os mexicanos que desejarem.

As autoridades chinesas negaram uma discriminação relacionada aos mexicanos e que se trata apenas de uma quarentena.

Outros países reforçaram as medidas preventivas. A Rússia ampliou para Espanha e várias províncias do Canadá a proibição de importação de porcos, carne e produtos derivados de porcos. O Egito deu sequência ao sacrifício de porcos criados pelos cristãos coptas, apesar dos violentos confrontos de domingo.

burs-acc/fp

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