OMS alerta para os efeitos da mudança climática sobre a saúde

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta segunda-feira, Dia Internacional da Saúde, para que sejam tomadas medidas urgentes para lutar contra a mudança climática, cujas conseqüências sobre a saúde humana começaram a se tornar evidentes.

AFP |

"Já não pode haver qualquer dúvida sobre a realidade da mudança climática. Seus efeitos são palpáveis", declarou a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, em coletiva de imprensa em Genebra pela ocasião.

"É necessária uma ação urgente para minimizar o impacto da mudança climática nas próximas décadas", advertiu Chan.

A elevação do mercúrio se traduz em mortes durante as ondas de calor e está por trás da maior freqüência com que ocorrem as catástrofes naturais, como inundações, tufões, ciclones e secas.

Estes fenômenos repercutem no deterioramento da qualidade da água, favorecendo a emergência de enfermidades diarréicas. O aumento das chuvas e da temperatura também tem um impacto sobre o desenvolvimento de males tropicais como a dengue e a malária, transmitidos por mosquitos.

A OMS ha dedicou à mudança climática o Dia Internacional da Saúde, que este ano coicinde com o 60º aniversário da organização.

Chan anunciou que este assunto será discutido na próxima reunião do G-8, em m maio, no Japão.

"A OMS quer chamar a atenção dos líderes políticos sobre a saúde para que possam medir a envergadura do que está em jogo", explicou a diretora-geral.

Em 7 de abril de 1948, a constituição da OMS, adotada dois anos antes pelas Nações Unidas, entrava em vigor em uma reunião dos 48 Estados fundadores em Genebra. Para a então recém-criada organização, tratava-se, sobretudo, de combater as grandes doenças infecciosas que atingiam o planeta ao fim da Segunda Guerra Mundial.

Sessenta anos depois, a OMS, que conta agora com 193 Estados-membros, estendeu sua luta ao tabagismo e aos acidentes de carro, além de ter de enfrentar novas doenças, como a Aids e a gripe aviária.

Em 2005, a organização assegurou que as mudanças climáticas contribuem para a morte de 150.000 pessoas por ano, enquanto cinco milhões ficam doentes.

Todos os países do mundo estão expostos às conseqüências das mudanças climáticas, destaca a OMS, citando como exemplo o caso das infecções pelo vírus do Nilo Ocidental, que aumentam com rapidez nos Estados Unidos e no Canadá desde 1999, devido ao clima mais quente, que permite que os mosquitos se multipliquem.

As populações mais pobres são também as mais frágeis. Segundo John Juliard Goun, membro da OMS das Filipinas, a dengue ameaçará milhões de pessoas nesses países, nas próximas décadas.

Os aborígines da Austrália serão um dos que mais sofrerão com o aumento das temperaturas, que será especialmente forte nas regiões desérticas, como apontou um estudo publicado no início do ano.

Mais de 8.000 pessoas trabalham para a OMS, na sede da organização em Genebra e em seus 147 escritórios espalhados pelo mundo. A organização dispõe de um fundo de 4,2 bilhões de dólares para o período 2008-2009.

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