Genebra, 29 dez (EFE).- A Organização Mundial da Saúde (OMS) não foi alarmista demais em relação à pandemia de gripe A, segundo a diretora-geral desta entidade, Margaret Chan.

Assim afirmou hoje a responsável da OMS, em entrevista concedida ao jornal suíço "Le Temps", na qual explica que a função da organização é prevenir para depois não ter de lamentar.

"A OMS adotou uma atitude muito prudente, principalmente se levamos em conta que foi a primeira pandemia em quatro décadas.

Nunca teria declarado o estado de pandemia se não tivesse a certeza de que tinha as provas de que aconteceria".

Segundo a diretora-geral, a epidemia foi lançada porque o vírus "se propagou de forma muito rápida por duas regiões diferentes do mundo".

"Todos chegamos à mesma conclusão e tomamos uma decisão unânime de anunciar uma pandemia em 11 de junho".

Chan tentou justificar o alarmismo argumentando que o anterior vírus de gripe não estacional, o da gripe aviária - tecnicamente chamado H5N1 - matava 60% das pessoas que infectava.

"A respeito da comunicação, houve uma grande diferença entre o que se esperava e a realidade. Todo mundo esperava que a pandemia fosse declarada por causa do vírus da gripe aviária, que matava 60% pessoas infectadas. Pois não, a pandemia foi lançada por um vírus muito mais benigno, o H1N1", disse Chan.

Além disso, a doutora estimou que, apesar da coordenação mostrada na luta contra o A (H1N1), em caso de uma pandemia de gripe aviária, "o mundo não está preparado".

"De verdade, espero que nunca tenhamos que enfrentar uma pandemia de gripe aviária", afirmou.

De fato, Chan considera que "é preciso investir muito mais na vigilância animal".

"Nos últimos 30 anos, vimos aparecer 30 novas doenças, das quais 70% provinham dos animais", disse. EFE mh/an

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