O vírus A (H1N1) da gripe suína continua se espalhando a grande velocidade, e apenas quatro meses após seu surgimento no México, está perto de atingir todos os países do mundo, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

"Se vocês considerarem que a propagação deste vírus atingiu 160 dos 193 Estados membros da OMS, estamos nos aproximando de 100%, mas (ainda) não chegamos lá", declarou à imprensa nesta sexta-feira Gregory Hartl, porta-voz da OMS.

"No que se refere aos mortos, acredito que estamos agora perto dos 800", disse. O número anterior era de mais de 700 mortos, nas contagens da organização.

Calculando em várias centenas de milhares o número de pessoas contaminadas, o porta-voz da OMS ressaltou que "mais há casos, mais haverá mortes, sem poder avançar uma taxa de mortalidade. "Não temos os dados para fazer o cálculo", disse, reconhecendo que diversas questões ainda não têm resposta".

O novo vírus A (H1N1) foi detectado pela primeira vez no fim do mês de março no México. A OMS declarou pandemia em 11 de junho passado.

Desde então, a doença se expandiu a uma velocidade sem precedente, segundo a OMS, que destacou que "em pandemias passadas, foram necessários mais de seis meses para que o vírus se propagasse tanto quanto o vírus H1N1 se propagou em menos de seis semanas".

O vírus se espalha com muita rapidez, mas os especialistas da OMS destacaram que a esmagadora maioria dos pacientes, que em geral se recupera, mesmo sem tratamento médico, fica doente por uma semana após o surgimento dos primeiros sintomas.

No entanto, especialistas da OMS temem ainda uma mutação para uma forma mais perigosa: "devemos saber que pode haver mudanças e estarmos prontos para isso", disse Hartl. "Por enquanto, não observamos nenhuma mudança no comportamento do vírus. O que observamos, é sua expansão geográfica", acrescentou.

As primeiras doses da vacina devem estar disponíveis no início do outono no Hemisfério Norte, confirmou, mas a OMS ainda não sabe se será necessário tomar uma ou duas doses para ficar imune à doença.

"Os testes clínicos acabam de começar em alguns países. Saberemos mais algumas semanas após as primeiras injeções porque precisamos ver a reação das pessoas, e de seus anticorpos, para saber se uma injeção é suficiente ou se vamos precisar de duas", explicou Hartl.

Alguns casos de resistência ao Tamiflu, o antiviral mais utilizado contra o A(H1N1) à espera de uma vacina foram registrados, mas eles não estão coligados", garantiu o porta-voz.

As crianças e os jovens adultos estão sendo cada vez mais vítimas, mas a OMS está consciente disso. Hartl disse que "é mais fácil para o vírus se espalhar nas escolas". Segundo ele, os que contraem uma forma mais severa da doença são mais velhos que as crianças em idade escolar ou os adolescentes".

Outro desconhecido de grande porte: o comportamento do vírus durante a estação fria no hemisfério norte é imprevisível.

"Não temos experiência do vírus durante o inverno no Hemisfério Norte porque o vírus surgiu em março. A questão é, portanto, saber o que o vírus vai fazer. Não sabemos", disse Hartl.

dro/lm

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