O.Médio e eleições do Irã são centro de debates do G8

Miguel Cabanillas. Trieste (Itália), 26 jun (EFE).- A coexistência pacífica de dois Estados, um israelense e outro palestino, no Oriente Médio e a crise gerada pelas eleições presidenciais do Irã foram o centro dos primeiros debates da cúpula do Grupo dos Oito (G8) de Assuntos Exteriores, hoje.

EFE |

A reunião, que a princípio tinha a estabilização do Afeganistão e Paquistão como tema principal, terminou convertendo-se, até o momento, em um debate sobre a crise do Irã, onde os protestos gerados pelos resultados das eleições já deixaram um balanço de pelo menos 20 mortos.

Os países do G8 com representantes da União Europeia (UE), condenaram firmemente a violência contra os manifestantes pacíficos no Irã e fizeram uma advertência às autoridades iranianas de que o assunto das eleições ainda não está "encerrado".

"Nossa chamada continua igual: não dar o assunto por terminado", afirmou o presidente rotativo do G8, o ministro de Exteriores da Itália, Franco Frattini, durante a entrevista coletiva depois da primeira sessão de trabalhos.

Um porta-voz do Conselho de Guardiães iraniano assegurou que não houve fraude nem irregularidades nas eleições presidenciais, cujos dados oficiais dão a vitória a Mahmoud Ahmadinejad.

Tanto os países do G8 , quanto a UE explicaram que não dispõem de instrumentos para poderem verificar os resultados, mas se mostraram "preocupados" com o fato de que existam "elementos de fato" que demonstrem irregularidades, como o número de votos registrados superior ao de eleitores inscritos.

Por isso, o G8 (EUA, França, Alemanha, Itália, Canadá, Rússia, Japão e Rússia) e a UE fizeram uma "chamada" ao Governo de Teerã "para garantir que a vontade do povo iraniano seja refletida no resultado" das eleições, que tem causado inquietação na comunidade internacional.

A UE e o G8, que nesta tarde começaram a abordar a estabilização do Afeganistão e Paquistão com representantes dos dois países asiáticos, pediram a autoridades iranianas que encontrem uma solução pacífica à atual crise e expressem sua "solidariedade" com as vítimas da violência.

Mas as eleições não é o único assunto que preocupa os Governos das potências mundiais sobre o Irã, já que o tema da proliferação de armas nucleares ainda será discutido. Tanto o G8 como a UE lançaram hoje uma advertência sobre o assunto.

Frattini explicou que o grupo que preside, além do resto da comunidade internacional, "estendeu a mão" a Teerã para manter diálogo sobre as armas nucleares, uma ajuda que tem um "tempo definido".

"Esperamos sinceramente que o Irã aproveite esta chance de diplomacia para encontrar uma solução negociada sobre o assunto nuclear. Continuamos profundamente preocupados com os riscos da proliferação do programa nuclear do Irã", afirma a declaração conjunta da primeira sessão do G8.

A proliferação de armas nucleares é assunto que envolve também a Coreia do Norte, um país que preocupa o Japão, em especial.

Neste sentido, o ministro de Exteriores japonês, Hirofumi Nakasone, afirmou que seu país considera adequado retomar o diálogo com as autoridades norte-coreanas para abordar o assunto, mas que, se não for assim, "o custo será alto".

O Oriente Médio e a solução para os "dois povos" foi, até o momento, o outro tema protagonista da reunião de Exteriores, com uma chamada "urgente" a Israel para que "paralise" os assentamentos em território palestino.

As delegações destes países e instituições internacionais exigem o fim da violência tanto do lado palestino quanto do israelense e advertiram que qualquer ação unilateral adotada e que dificulte o processo de paz e o reconhecimento pacífico de ambos Estados não será assumida pela comunidade internacional.EFE mcs/pd

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